O mercado de café enfrenta uma volatilidade significativa, com os preços recuando após uma disparada histórica em Nova York. Na última sexta-feira (10), os contratos futuros do café arábica e robusta sofreram quedas acentuadas, influenciados pela melhora das condições climáticas no Brasil, avanço da colheita e pela realização de lucros nas bolsas internacionais.
A desvalorização do dólar frente ao real também impactou o mercado interno, reduzindo o interesse dos produtores em negociar. Essa combinação resultou em uma oferta limitada e um ritmo lento nas transações, refletindo a cautela dos vendedores diante das oscilações de preços.
Queda nas cotações e clima favorável
Os contratos de setembro/2026 do café arábica na ICE Futures US recuaram cerca de 7,4%, sendo negociados a aproximadamente 322,15 centavos de dólar por libra-peso. Essa queda se seguiu a uma valorização expressiva de 12,3% na quinta-feira, um dos maiores aumentos recentes no mercado.
A atualização das previsões meteorológicas trouxe alívio, com a redução do risco de geadas que poderia afetar a produção. Com a colheita avançando, a expectativa é de maior disponibilidade de café, o que também pressiona os preços para baixo.
Apesar da queda, os operadores permanecem atentos às condições climáticas, especialmente em relação a novas ondas de frio que possam impactar a safra. A volatilidade do mercado deve continuar, refletindo a incerteza sobre a qualidade dos grãos e a evolução da colheita.
No mercado físico, a liquidez diminuiu, com muitos produtores optando por aguardar melhores oportunidades de venda. Os preços nas principais regiões produtoras, como Sul de Minas e Cerrado Mineiro, mostraram uma leve recuperação, mas a cautela predominou nas negociações.
Além disso, a queda dos estoques certificados na ICE, que somaram 346.419 sacas em 9 de julho, contribui para um suporte estrutural aos preços. No entanto, o foco principal do mercado permanece nas condições climáticas e no ritmo da colheita.
Com o dólar comercial operando em torno de R$ 5,11, a desvalorização da moeda brasileira também pressiona as cotações internas, diminuindo a competitividade das exportações. Essa situação resulta em um mercado físico mais lento, refletindo a estratégia dos produtores de dosar a oferta em um cenário de alta volatilidade.











