A cadeia brasileira do cacau mostrou sinais de recuperação no primeiro semestre de 2026, com um aumento significativo na oferta de matéria-prima. Após dois anos de escassez, a produção nacional de cacau alcançou 95.108 toneladas entre janeiro e junho, um crescimento de 63,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo segundo trimestre, quando o recebimento de amêndoas atingiu 66.503 toneladas. Apesar desse crescimento, o setor ainda enfrenta o desafio de transformar essa maior oferta em um aumento real na moagem e na geração de valor para a indústria.
Desafios da Indústria de Cacau
A moagem de cacau, que totalizou 101.426 toneladas no primeiro semestre de 2026, cresceu apenas 3,6% em comparação ao ano anterior. Isso indica que, embora a produção tenha aumentado, a demanda por derivados de cacau ainda não se recuperou na mesma proporção.
Além disso, a dependência de importações de amêndoas caiu drasticamente, com o Brasil importando apenas 18,1 mil toneladas no primeiro semestre, uma redução de 57,1%. Este é o menor volume registrado na série recente, refletindo uma maior autossuficiência, mas também uma demanda industrial mais moderada.
As exportações de derivados de cacau também apresentaram um desempenho abaixo do esperado, com uma queda de 7% em relação ao ano anterior. Apesar de um crescimento de 13% no segundo trimestre em comparação ao primeiro, o total de 26.739 toneladas ainda é insuficiente para compensar a retração acumulada.
A Bahia continua sendo o principal estado produtor, respondendo por 56,8% do cacau recebido, enquanto o Pará ampliou sua participação, representando 38,8%. Essa dinâmica entre os estados é crucial para a recuperação da cadeia produtiva e para a competitividade no mercado interno e externo.
Para que a recuperação se torne sustentável, a indústria precisa transformar a maior produção em produtos de maior valor agregado. Isso requer investimentos em tecnologia, renovação de lavouras e uma expansão da capacidade industrial, além de um alinhamento entre produção e demanda.











