A construção de um data center em Uberlândia, um projeto de inteligência artificial avaliado em seis bilhões de reais, está sendo investigada por sua ligação com um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. O site Intercept Brasil teve acesso a um inquérito civil do Ministério Público Federal que analisa a instalação do empreendimento na cidade. A investigação revela que a área pertence a um fundo administrado por gestoras suspeitas no caso do Banco Master, e o contrato de aluguel firmado para o projeto apresenta valores muito abaixo do mercado.
Conforme a apuração, a RT-One é a responsável pela obra e arrendou 96 hectares de terra do Fundo Imobiliário Bacuri. O aluguel mensal é de apenas R$ 1 mil, em um contrato de 15 anos assinado em dezembro do ano passado, para um terreno avaliado em R$ 1,78 milhão. Essa discrepância é notável, considerando que o custo do data center, quando concluído, é estimado em R$ 6 bilhões.
Até dezembro de 2025, o patrimônio do fundo Bacuri era composto apenas pelo terreno do data center e por um galpão em Uberlândia. O fundo está em processo de expansão, com negociações para a aquisição de outros 28 imóveis. A primeira parcela para a compra desses ativos foi paga em janeiro do ano anterior.
O fundo Bacuri, que foi administrado até meados de 2025 pela Reag Trust, agora está sob a gestão da WNT Capital. Ambas as gestoras estão sendo investigadas pela Polícia Federal no âmbito do caso Master, suspeitas de movimentar recursos de forma irregular e ocultar riscos financeiros do banco. A diferença entre o valor declarado do terreno e o montante informado pela WNT nas demonstrações financeiras é alarmante, levantando questões sobre a valorização do ativo.
O aluguel de R$ 1 mil mensais representa um retorno de apenas 0,7% ao ano sobre o valor do imóvel, um percentual muito inferior ao que é comum no mercado de fundos imobiliários. Especialistas em direito imobiliário e finanças expressaram preocupações sobre a viabilidade do negócio, sugerindo que o arrendamento pode estar disfarçando outra operação.
A RT-One, responsável pela obra, não possui um histórico significativo no setor de data centers, apresentando apenas dois projetos além do de Uberlândia. A falta de experiência e as controvérsias em torno das gestoras envolvidas acendem um alerta sobre a verdadeira natureza do investimento em um dos maiores projetos de inteligência artificial já anunciados em Minas Gerais.











