Os preços do café estão em alta nas bolsas internacionais, impulsionados por preocupações climáticas e a colheita brasileira. Nesta terça-feira (14), o mercado reagiu positivamente após uma correção inicial, refletindo o aumento do interesse dos compradores. A volatilidade continua a ser uma característica marcante, especialmente em função das condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Na ICE Futures US, o contrato de café arábica para setembro de 2026 foi negociado a 334,15 cents de dólar por libra-peso, uma alta de 415 pontos. Em Londres, o café robusta também apresentou valorização, com o contrato de setembro/26 cotado a US$ 3.873 por tonelada, um aumento de 39 dólares.
Impactos do Clima e do El Niño
A possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre é um dos principais fatores que afetam o mercado. Esse fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura nas regiões produtoras, impactando a produtividade e a qualidade dos grãos. As análises da Organização Internacional do Café (OIC) indicam que a incerteza climática tem elevado as cotações, interrompendo a tendência de queda observada anteriormente.
Entre os possíveis efeitos climáticos estão a redução das chuvas na América Central e no Caribe, além de temperaturas mais altas no norte da América do Sul. No Brasil, o excesso de chuvas no Sul e a irregularidade climática na África Oriental também são preocupações que podem afetar a produção.
Enquanto isso, a colheita brasileira avança, mas enfrenta desafios devido às condições meteorológicas. Em Minas Gerais, as chuvas acima da média dificultaram a colheita e secagem dos grãos, levantando preocupações sobre a qualidade e o rendimento. Levantamentos indicam que a colheita está abaixo da média histórica, o que pode impactar a oferta no mercado.
Além disso, a redução dos estoques certificados nas bolsas internacionais, que atingiram o menor nível desde fevereiro de 2024, contribui para a pressão sobre os preços. A diminuição dos estoques aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer notícia relacionada ao clima e à produção.
Por fim, as tensões geopolíticas também têm um papel importante, elevando os custos logísticos e pressionando o mercado. Apesar das preocupações climáticas, as projeções de uma safra recorde no Brasil e o aumento da produção em outros países podem limitar altas mais significativas nos preços do café.
Com um cenário marcado por incertezas, a volatilidade deve continuar nas próximas semanas, com o clima se tornando o principal fator a influenciar as cotações do café nas bolsas internacionais.











