A Reforma Tributária brasileira deve provocar uma das maiores mudanças na rotina das cerealistas, empresas responsáveis por conectar produtores rurais, indústrias processadoras e o mercado exportador de commodities agrícolas. Com a implementação gradual do novo modelo fiscal, o desafio para o setor não estará apenas nas novas regras de cobrança do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), mas principalmente na necessidade de adaptar processos de compra, venda, armazenamento e comercialização de grãos.
Para especialistas do setor, a eficiência tributária passará a ser um fator determinante para a competitividade das cerealistas, influenciando diretamente margens, fluxo de caixa e capacidade de negociação. Essa mudança impacta não apenas as empresas, mas também os produtores e consumidores, que poderão sentir reflexos nos preços e na disponibilidade de produtos no mercado.
Cerealistas terão papel estratégico no novo ambiente tributário
As cerealistas funcionam como uma das principais engrenagens da cadeia do agronegócio brasileiro. Essas empresas compram a produção agrícola, realizam operações de armazenagem, classificação e padronização dos grãos antes do envio para indústrias, cooperativas ou tradings exportadoras. Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, qualquer alteração no sistema tributário afeta diretamente a estrutura financeira dessas operações.
Uma das principais alterações previstas pela Reforma Tributária está relacionada ao tratamento dado aos produtores rurais conforme o faturamento anual. Produtores com receita superior a R$ 3,6 milhões deverão emitir documentos fiscais com destaque dos tributos, permitindo que as cerealistas aproveitem os créditos tributários correspondentes.
Já os produtores enquadrados abaixo desse limite terão direito a um sistema de crédito presumido, calculado sobre o valor das operações, com o objetivo de preservar a participação dos pequenos produtores na cadeia produtiva. Na prática, a análise tributária do fornecedor passará a influenciar diretamente a formação do preço dos grãos.
Fim do ICMS diferido muda lógica das operações
Outro ponto de atenção para as cerealistas será a substituição gradual de mecanismos estaduais, como o diferimento do ICMS. Com a adoção do novo sistema, a tributação passará a seguir o princípio do destino, alterando a dinâmica atual de arrecadação e circulação de mercadorias entre os estados. Como contrapartida, o agronegócio terá tratamento diferenciado, com redução de 60% da alíquota padrão para produtos e insumos agropecuários.
Um dos principais impactos para o setor será a administração dos créditos tributários acumulados. Mesmo com a possibilidade de recuperação de créditos, cerealistas continuarão enfrentando custos tributados em áreas essenciais da operação, como transporte, energia elétrica e combustíveis. O tempo de compensação desses créditos poderá afetar diretamente o capital de giro das empresas.
A implementação da Reforma Tributária ocorrerá de forma gradual até 2033, período em que empresas do agronegócio precisarão adaptar sistemas, processos internos e estratégias comerciais. Para as cerealistas, a preparação antecipada será fundamental para evitar perdas financeiras e aproveitar oportunidades geradas pelo novo modelo. A modernização da gestão tributária tende a se tornar um diferencial competitivo, especialmente em um setor marcado por margens ajustadas e forte concorrência no mercado internacional.











