O setor brasileiro de hortifrúti enfrenta desafios significativos em 2026. A produção de melancia em Goiás está sendo severamente afetada por chuvas excessivas e a disseminação de viroses, resultando em baixa produtividade e rentabilidade. Ao mesmo tempo, as exportações de melão estão em queda devido à entressafra no Nordeste e à concorrência da produção europeia.
Dados do Hortifrúti/Cepea indicam que tanto a melancia quanto o melão estão lidando com custos de produção crescentes, desafios logísticos e mudanças na demanda do consumidor, fatores que têm pressionado as margens dos produtores.
Impactos climáticos e viroses na produção de melancia
A safra de melancia em Goiás começou sob condições climáticas desfavoráveis, com chuvas excessivas durante a semeadura prejudicando o desenvolvimento das lavouras. Em abril, a produtividade média foi inferior a 30 toneladas por hectare, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos agricultores.
Embora as temperaturas mais altas entre abril e junho tenham proporcionado alguma recuperação, os custos operacionais continuaram elevados, especialmente em relação a insumos e combustível. A situação se agravou em junho com o aumento dos casos de virose, resultando em uma queda média de 13% na produtividade.
Além das perdas no campo, a demanda do consumidor também caiu. Temperaturas amenas nos centros de consumo reduziram o apetite pela fruta, e a deterioração da qualidade dos frutos afetados pela virose pressionou ainda mais os preços. O valor médio da melancia caiu quase 50% em junho, com a rentabilidade dos produtores goianos atingindo apenas R$ 0,15 por quilo.
Desafios nas exportações de melão
No mercado externo, as exportações de melão brasileiro também enfrentaram uma desaceleração significativa. Em junho, as vendas caíram 59% em comparação a maio, totalizando cerca de 2,5 mil toneladas. A receita também recuou, somando aproximadamente US$ 2 milhões FOB.
A entressafra nas principais regiões produtoras do Nordeste, aliada à forte concorrência da produção espanhola, limitou as exportações. Mesmo com a expectativa de melhora na qualidade dos frutos após o período chuvoso, a oferta restrita dificultou o aumento das vendas externas.
O cenário de entressafra entre abril e junho de 2026 foi desafiador, com uma queda de 21% no volume exportado em relação ao ano anterior. Fatores como a competitividade de países da América Central e o aumento dos custos logísticos, impulsionados pelo preço do diesel, contribuíram para essa situação.
Com a nova safra prevista para começar no final de julho, há esperança de aumento na oferta. No entanto, os produtores estão negociando contratos de exportação com cautela, o que pode levar a um aumento da oferta interna e pressão sobre os preços do melão nos próximos meses.
Os desafios enfrentados pela produção de melancia e melão em 2026 refletem a complexidade do setor hortifrúti brasileiro. O clima, a saúde das lavouras e a dinâmica do mercado serão fatores cruciais para determinar o futuro da rentabilidade e da competitividade dos produtores.











