As cooperativas de crédito estão se consolidando como protagonistas no financiamento do agronegócio brasileiro. De acordo com o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) 2025, divulgado pelo Banco Central, essas instituições já representam cerca de 22% do crédito rural destinado a pessoas físicas no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
No entanto, um dado preocupante emerge desse cenário: aproximadamente 88% da carteira rural das cooperativas não possui seguro agrícola, o que aumenta a vulnerabilidade dos produtores e das instituições financeiras frente às mudanças climáticas.
Cooperativas fortalecem o financiamento ao agronegócio
A presença crescente das cooperativas de crédito é um fator crucial para o financiamento da produção agropecuária, especialmente em áreas rurais. O modelo cooperativista se destaca pela proximidade com os agricultores, permitindo um entendimento mais profundo das necessidades locais e oferecendo crédito adaptado a cada realidade.
Esse suporte é vital para pequenos e médios produtores, que representam 73% da carteira rural das cooperativas, e são fundamentais para a geração de renda e desenvolvimento das economias regionais.
Falta de seguro agrícola preocupa setor
O uso reduzido de seguro agrícola é um ponto crítico. Com 88% das operações rurais sem cobertura, os produtores ficam expostos a riscos como secas e enchentes, que podem comprometer a produtividade. A ausência de seguro não resulta, imediatamente, em inadimplência, mas limita a capacidade de mitigar riscos em um cenário de instabilidade climática crescente.
O Banco Central enfatiza a necessidade de uma gestão de riscos mais robusta, que inclua monitoramento das condições climáticas e análise da capacidade de pagamento dos produtores. A integração de crédito e tecnologia pode ser um diferencial importante para a sustentabilidade da carteira rural.
Inadimplência permanece abaixo da média do sistema financeiro
Apesar da preocupação com a falta de seguro, a qualidade da carteira rural das cooperativas se mantém favorável. Os ativos problemáticos representam apenas 2,3%, bem abaixo da média de 11% do restante do Sistema Financeiro Nacional. Esse desempenho reflete a eficácia do relacionamento próximo entre cooperativas e produtores.
Os dados indicam que, embora as cooperativas desempenhem um papel crucial no financiamento do agronegócio, é essencial que avancem na proteção dos produtores. A ampliação da oferta de seguro agrícola e a educação financeira dos associados são passos fundamentais para fortalecer ainda mais o cooperativismo no campo.











