As exportações brasileiras de arroz dispararam em 2026, com um crescimento superior a 80% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse aumento significativo tem sido crucial para equilibrar o mercado interno, reduzindo a pressão de oferta e impulsionando a recuperação dos preços pagos pela saca.
Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), destaca que o mercado externo é um dos principais motores para o fortalecimento da cadeia produtiva do arroz neste ano. A alta nas exportações permitiu que uma parte considerável da produção fosse direcionada para fora do país, aliviando o excedente no mercado doméstico.
Impacto das exportações no mercado interno
Com a redução da oferta interna, a comercialização da safra melhorou, resultando em um fluxo de caixa mais saudável para os produtores. Isso contribuiu para uma recuperação gradual dos preços, que haviam enfrentado forte pressão nos últimos anos. Além disso, mecanismos de apoio ao escoamento da produção também ajudaram a aumentar a remuneração dos arrozeiros.
Apesar do aumento no volume exportado, a receita cambial não acompanhou o crescimento. A queda nos preços internacionais limitou o faturamento das exportações, com os contratos fechados em 2026 apresentando uma média de R$ 60 por saca, uma redução significativa em relação aos R$ 90 do ano anterior.
A Venezuela se destacou como um dos principais compradores do arroz brasileiro, ampliando sua participação nas importações. Inicialmente, havia preocupações sobre possíveis mudanças políticas que poderiam afetar o comércio, mas o mercado se mostrou estável, permitindo a continuidade dos negócios.
Perspectivas para o setor de arroz
O Brasil registrou um superávit comercial de aproximadamente 400 mil toneladas de arroz no primeiro semestre de 2026, evidenciando o avanço das exportações em relação às importações. A expectativa é que o país alcance cerca de 2 milhões de toneladas exportadas até o final do ano, consolidando um dos maiores saldos comerciais da história do setor.
Os efeitos positivos das exportações já são visíveis no mercado interno, com a tendência de valorização dos preços se intensificando. Essa recuperação dependerá, no entanto, das condições climáticas nos principais países produtores e do ritmo das exportações brasileiras, que podem continuar a fortalecer a renda dos produtores e a competitividade do arroz nacional no mercado internacional.











