As exportações de café do Brasil na safra 2025/26 apresentaram uma queda de 15,7% em volume, totalizando 38,462 milhões de sacas. Essa diminuição é atribuída à menor disponibilidade do grão, problemas logísticos nos portos e tarifas impostas pelos Estados Unidos. Apesar da redução nas quantidades exportadas, o país alcançou a segunda maior receita cambial da história, com US$ 14,595 bilhões.
Os dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) revelam que, mesmo com a retração nos embarques, a valorização do café no mercado internacional garantiu um desempenho financeiro robusto. O preço médio das exportações atingiu US$ 379,48 por saca, o maior já registrado, refletindo uma alta de 17,4% em relação ao ciclo anterior.
Impactos da Menor Safra e Problemas Logísticos
A menor safra de café no Brasil, causada por condições climáticas adversas, comprometeu a produção e a disponibilidade do grão para exportação. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destacou que a retração nas exportações já era esperada devido à escassez de café no mercado. Além disso, gargalos logísticos nos portos brasileiros dificultaram ainda mais os embarques, resultando em atrasos e custos adicionais.
Os congestionamentos nos principais portos levaram a um aumento nos custos de armazenagem e a operações adicionais, prejudicando a competitividade das exportações brasileiras. Essa situação se agravou com a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que reduziu drasticamente as vendas ao principal mercado consumidor do café brasileiro.
Embora a tarifa tenha sido retirada posteriormente, as incertezas comerciais ainda afetam o fluxo de negócios entre os dois países. A Alemanha, por sua vez, superou os Estados Unidos e se tornou o maior comprador do café brasileiro, importando 5,188 milhões de sacas.
Os cafés diferenciados, como os especiais e sustentáveis, mantiveram uma participação relevante, representando 19,2% das exportações. Isso demonstra que, mesmo em tempos desafiadores, há uma demanda crescente por produtos de qualidade no mercado internacional.
As perspectivas para a safra 2026/27 dependem da recuperação da oferta nacional e da normalização da logística portuária. Se os gargalos forem resolvidos e a produção se estabilizar, o Brasil poderá recuperar parte do volume exportado, beneficiando-se de um mercado ainda sustentado por preços elevados e demanda consistente.











