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Juiz mineiro afastado após beber em sessão foi alvo de medida protetiva em abril
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Juiz mineiro afastado após beber em sessão foi alvo de medida protetiva em abril

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O juiz Milton Lívio Lemos Salles, afastado do cargo após aparecer bebendo vinho e fumando durante uma sessão virtual, foi alvo de uma medida protetiva de urgência em favor da própria companheira em abril deste ano.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o pedido foi formalizado em 27 de abril, depois que a mulher compareceu a uma unidade policial em Belo Horizonte e relatou fatos ocorridos no ambiente familiar. Por se tratar de um registro sigiloso, a corporação não divulgou detalhes da ocorrência para preservar a vítima.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou a existência da medida protetiva, mas informou que não poderia fornecer detalhes porque o processo tramita em segredo de justiça.

Juiz bebe e fuma durante sessão virtual

Imagens que circularam no início desta semana mostram Salles diante da câmera durante uma sessão virtual. Em determinado momento, ele leva uma garrafa à boca e bebe diretamente do recipiente. Na sequência, acende um cigarro com um maçarico e começa a fumar enquanto permanece diante da câmera.

Também é possível ver uma mulher passando atrás do juiz durante a sessão. O episódio ocorreu em uma reunião do 4º Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família, que tinha 15 processos previstos na pauta.

Afastamento pelo TJMG

O Órgão Especial do TJMG decretou o afastamento imediato do juiz na terça-feira (11), após determinação cautelar do corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais. Conforme o tribunal, a decisão foi tomada durante uma sessão extraordinária realizada naquela tarde.

Além do afastamento, foram suspensas imediatamente as credenciais e permissões de acesso funcional de Salles aos sistemas judiciais e administrativos do TJMG e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo ferramentas de tramitação processual e consulta funcional. Foram mantidos apenas os meios necessários ao acompanhamento de procedimentos nos quais ele figure como interessado e ao exercício do contraditório e da ampla defesa.

O tribunal também proibiu o ingresso do magistrado, para fins funcionais, em fóruns, prédios administrativos e demais instalações do TJMG durante o afastamento. Salles foi impedido de utilizar veículos oficiais e teve suspensos o direito ao porte e o registro de arma de fogo. A decisão foi comunicada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), à Polícia Federal e ao Exército Brasileiro.

As unidades responsáveis pela tecnologia da informação e pela gestão de acessos do TJMG também foram comunicadas para cumprir a suspensão das credenciais e permissões funcionais, observadas as ressalvas previstas na decisão.

A Corregedoria-Geral de Justiça instaurou uma sindicância, em procedimento sigiloso, para apurar a conduta durante a sessão. Os processos que estavam sob a relatoria de Salles serão redistribuídos. Um magistrado de primeiro grau será convocado para substituí-lo no Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família.

Declarações do juiz

Após a circulação das imagens, Salles publicou uma gravação na qual afirmou estar sendo perseguido e ser alvo de difamação.

“Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre Moraes, são todos uns corruptos. Falo isso de conhecimento de causa”, declarou.

No vídeo, o juiz disse que estava tomando café no Rio de Janeiro com a mulher. Em seguida, acusou o TJMG de corrupção e fez acusações contra ex-presidentes da corte.

“Se alguém quiser bater de frente comigo em algum TV, no Jornal Nacional, o que quer que seja, eu estou à disposição. Muito obrigado”, afirmou ao encerrar a gravação.

Salário

Dados do Portal da Transparência do TJMG mostram que Salles recebeu R$ 105.073,16 brutos em julho. A remuneração incluía R$ 13.212,08 em vantagens pessoais, R$ 39.753,21 em cargo em comissão, R$ 13.913,62 em indenizações e R$ 24.280,63 em vantagens eventuais. A folha também registra R$ 13.913,62 em gratificações.

Do total bruto, foram descontados R$ 7.092,39 de contribuição previdenciária e R$ 14.397,22 de Imposto de Renda. As deduções somaram R$ 21.489,61, e o valor líquido recebido pelo magistrado foi de R$ 83.583,55.

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