Primeira Ferrari elétrica é arrematada por US$ 40 milhões em leilão nos EUA
Foto original adaptada visualmente por IA.
Carros

Primeira Ferrari elétrica é arrematada por US$ 40 milhões em leilão nos EUA

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

A Ferrari arrecadou US$ 40 milhões com o primeiro exemplar de produção do Luce, seu modelo totalmente elétrico. O veículo foi leiloado pela RM Sotheby’s no sábado (15), em Monterey, nos Estados Unidos, e alcançou um valor mais de 36 vezes superior à estimativa inicial, de US$ 1,1 milhão.

Identificado pelo chassi ZFF21BUA8T0338000 e conhecido como “Chassis 0”, o automóvel foi oferecido sem preço mínimo. A RM Sotheby’s também abriu mão da comissão do comprador, fazendo com que os US$ 40 milhões correspondessem integralmente ao valor destinado à causa beneficente.

A quantia será encaminhada à Ferrari Foundation, organização que financia programas educacionais. O resultado tem relevância adicional por representar o início da trajetória elétrica da fabricante italiana, antes mesmo da entrega das primeiras unidades do modelo aos clientes.

Configuração exclusiva

O exemplar leiloado não é uma unidade convencional do Luce. Trata-se do primeiro carro produzido dentro do programa e foi configurado de forma exclusiva pela divisão Tailor Made, responsável pelas personalizações da Ferrari.

A carroceria recebeu a pintura Madreperla Semi Gloss, tonalidade que pode apresentar aparência esverdeada ou violeta conforme a incidência da luz. No interior, foram utilizados couro metálico Le Mans na cor Perla e detalhes Grigio Corvara.

O veículo também conta com elementos desenvolvidos especificamente para essa unidade, como rodas próprias, pinças de freio personalizadas e um cavalo empinado com acabamento óptico branco.

Apesar do arremate, o comprador não receberá o carro imediatamente. O Luce retornará a Maranello, na Itália, para a conclusão da montagem, com previsão de entrega para o primeiro trimestre de 2027.

O modelo convencional é estabelecido pela Ferrari em € 550 mil, aproximadamente US$ 640 mil. Dessa forma, o valor do leilão ficou em torno de 62 vezes o preço informado para o veículo.

Recorde entre modelos especiais

A venda ampliou a sequência de grandes arrecadações envolvendo exemplares exclusivos da marca. Em agosto de 2025, durante a mesma programação de Monterey, uma Ferrari Daytona SP3 única, produzida além das 599 unidades previstas originalmente, alcançou US$ 26 milhões. Na ocasião, o modelo foi apresentado como o carro novo mais caro já vendido em um leilão.

Um ano depois, a própria Ferrari superou esse resultado com seu primeiro veículo movido exclusivamente por baterias. O histórico inclui ainda uma LaFerrari Aperta única, arrematada por US$ 10 milhões em Maranello, em 2017. Naquele caso, os recursos foram destinados ao auxílio após terremotos.

Em 2018, uma Ferrari 250 GTO fabricada em 1962 foi vendida pela RM Sotheby’s por US$ 48,4 milhões, valor que permanece entre os maiores já registrados por um automóvel em um leilão público. O Luce ficou US$ 8,4 milhões abaixo dessa marca.

O resultado também superou os preços dos elétricos de produção mais caros mencionados no material. Rimac Nevera e Pininfarina Battista aparecem na faixa de US$ 2,2 milhões a US$ 2,5 milhões, embora tenham produção ainda mais limitada.

Procura superou reação negativa

O leilão ocorreu após uma estreia marcada por críticas. O Luce recebeu forte reação negativa durante sua apresentação em Roma, em maio. Depois do lançamento, as ações da Ferrari caíram, e o ex-presidente da companhia Luca di Montezemolo afirmou que o emblema da marca não deveria estar associado ao modelo.

Cerca de um mês depois, a Ferrari substituiu seu responsável pelo marketing. Apesar da repercussão desfavorável, a procura pelo carro foi significativa: a alocação de 2026, composta por pouco menos de 500 veículos, foi totalmente comercializada em menos de dois meses, antes da primeira entrega a clientes.

Embora o caráter filantrópico da venda tenha influenciado o resultado, o montante também representa uma demonstração simbólica de força para a Ferrari após a recepção inicial do Luce.

Debate entre colecionadores

A venda de US$ 40 milhões provocou discussões sobre o possível valor histórico do veículo. Parte dos comentários publicados após o leilão interpretou a aquisição como uma aposta na importância que o primeiro Ferrari elétrico poderá adquirir nas próximas décadas.

Um dos comentaristas avaliou que o comprador pode estar apostando na permanência da Ferrari e na transformação do carro em um marco de transição entre duas fases da fabricante. Também surgiu a hipótese de que o último Ferrari exclusivamente a combustão possa alcançar grande valorização entre colecionadores.

Outra linha de argumentação apontou que o primeiro e o último exemplar de uma era automotiva podem despertar interesse por representarem pontos de ruptura na história de uma marca.

Também houve críticas ao preço. Alguns participantes consideraram que os US$ 40 milhões dificilmente seriam justificáveis como investimento financeiro tradicional. Outros levantaram a possibilidade de que o negócio tenha relação com o acesso a futuros modelos extremamente limitados da Ferrari, mas essa hipótese é apenas uma especulação dos comentários e não foi confirmada.

As discussões incluíram ainda dúvidas sobre a preservação de um veículo elétrico ao longo das décadas. Um comentário apontou a degradação das baterias como possível obstáculo para colecionadores, enquanto outro avaliou que um eventual carro clássico elétrico do futuro provavelmente não manteria sua bateria original.

A questão central é se o Luce será lembrado apenas como o primeiro Ferrari elétrico ou se ganhará, com o tempo, o status de peça histórica ligada ao início de uma nova etapa da fabricante.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×700
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...