Uberlândia completa 138 anos nesta segunda-feira (31) marcada por uma trajetória de crescimento que transformou o antigo município ferroviário em um dos principais centros urbanos do interior do Brasil. Com 761.835 habitantes, a cidade é a segunda mais populosa de Minas Gerais e a nona maior cidade não-capital do país.
No início do século XX, Uberlândia tinha pouco mais de 11 mil moradores. O avanço populacional ocorreu em ritmos diferentes ao longo das décadas, com uma expansão mais lenta nas primeiras fases e um salto expressivo entre 1970 e 1980. Nesse período, a população passou de 126.112 para 240.967 habitantes, alta de 91,1% em dez anos.
Depois disso, o crescimento desacelerou gradualmente. Entre 1991 e 2000, foi de 36,5%; de 2010 a 2022, caiu para 18,1%; e, entre 2022 e 2025, ficou em 6,8%.
O economista Eduardo Guimarães aponta a década de 1950 como um período decisivo para a expansão de Uberlândia, especialmente após o início da construção de Brasília. Segundo ele, em 1970 a cidade tinha cerca de 126 mil habitantes e empatava com Uberaba, que até então era o maior município do Triângulo Mineiro. Atualmente, a população uberlandense é mais que o dobro da registrada em Uberaba.
Guimarães também relaciona o crescimento a fatores externos ao município, como a chegada da ferrovia à região no início do século XX, a construção de Brasília e a localização estratégica proporcionada por esse processo. A expansão da infraestrutura, com rodovias, telefonia e hidrelétricas, além da presença da Universidade Federal de Uberlândia, que contribui para a formação e a qualificação da mão de obra, também aparece entre os fatores apontados pelo economista.
Posição no estado e no país
Com 761.835 habitantes, Uberlândia está atrás apenas de Belo Horizonte em Minas Gerais. O município tem 110.117 moradores a mais que Contagem, 194.105 a mais que Juiz de Fora e 405.054 a mais que Uberaba.
No ranking nacional, Uberlândia é a nona maior cidade não-capital, atrás de Guarulhos, Campinas, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Bernardo do Campo, Santo André e Sorocaba.
A população uberlandense também supera a de Cuiabá, com 691.875 habitantes; Aracaju, com 630.932; Florianópolis, com 587.486; Porto Velho, com 517.709; Macapá, com 489.676; e Boa Vista, com 485.477. O número fica próximo ao de Natal, que tem 784.249 habitantes.
Perfil da população
Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a faixa etária mais numerosa em Uberlândia é a de 25 a 29 anos, com cerca de 60.249 pessoas, ou 8,4% da população.
Ao mesmo tempo, a cidade está envelhecendo. A idade média dos moradores passou de 30 anos, em 2010, para 35 anos, em 2022. No período, o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou de 41.067, equivalentes a 6,7% da população, para 73.171, ou 10,2%. Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos somam 130.459 pessoas, o equivalente a 18,2% do total.
As mulheres são maioria entre os moradores, embora haja equilíbrio entre os sexos. Em 2022, Uberlândia tinha 369.259 mulheres, ou 51,8% da população, e 343.965 homens, correspondentes a 48,2%.
Em relação à raça ou cor, 49,2% dos moradores se declararam brancos, o equivalente a 307.386 pessoas; 39,5% pardos, ou 246.666; 11% pretos, ou 68.646; 0,3% amarelos, ou 1.991; e 0,1% indígenas, ou 397.
A taxa de alfabetização entre a população com 15 anos ou mais é de 97,13%, aproximadamente 566.051 pessoas. No ensino superior completo, as mulheres também são maioria: 72.598 uberlandenses formadas, contra 51.522 homens.
O rendimento domiciliar per capita médio é de R$ 2.079,68, acima das médias de Minas Gerais e do Brasil. A renda média do trabalho chega a R$ 3.272,40, mas apresenta diferença entre homens e mulheres: R$ 3.800,74 para eles e R$ 2.692,21 para elas. Entre as pessoas com ensino superior completo, os valores são de R$ 7.323,22 para os homens e R$ 4.504,42 para as mulheres.
Os domicílios também refletem mudanças no modo de vida. Em Uberlândia, 54.359 residências têm apenas um morador. Outras 30,75% têm duas pessoas, 23,94% têm três e 17,05% têm quatro moradores.
Para o historiador Sebastião Vianey, o aumento das pessoas que vivem sozinhas acompanha uma tendência mundial observada em cidades maiores. Na avaliação dele, o fenômeno está ligado às mudanças na estrutura familiar, ao crescimento das famílias formadas por uma única pessoa e ao individualismo, entre outros fatores.
Eleitorado e internacionalização
O crescimento populacional também se reflete no eleitorado. Em 2026, Uberlândia tem 538.195 eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. É o segundo maior eleitorado do estado, atrás de Belo Horizonte, com 1.961.282 eleitores, e à frente de Contagem, com 463.243.
O eleitorado uberlandense representa 3,29% do total de Minas Gerais, tornando o município um centro representativo para as eleições gerais deste ano.
O historiador Sebastião Vianey afirma ainda que parte do crescimento recente vem da chegada de pessoas de outros países. Ele cita a presença de haitianos, paraguaios e venezuelanos e avalia que a internacionalização, acompanhada pela atuação de empresas estrangeiras, tem alterado a paisagem cultural da cidade e ampliado o contato dos moradores com diferentes visões, costumes e experiências.
Expansão urbana e perspectivas
A área urbanizada de Uberlândia passou de 172,85 km², em 2019, para 186,36 km², em 2022. O aumento foi de 13,51 km², ou 7,8%, em três anos.
Segundo Vianey, a adaptação às transformações urbanas varia conforme o grupo social. Para moradores que nasceram na cidade e acompanharam o processo ao longo da vida, o crescimento e a chegada de pessoas de fora podem representar mudanças significativas na paisagem e o desaparecimento de locais com os quais tinham identificação.
Na avaliação do economista Eduardo Guimarães, Uberlândia se aproxima de uma fase de estabilidade demográfica. Ele projeta que a cidade poderá chegar a cerca de 800 mil habitantes e, a partir daí, crescer em ritmo menor. Nesse cenário, o município também deverá envelhecer mais rapidamente.
Memória e curiosidades
O município foi criado em 1888, mas o nome Uberlândia só foi oficializado em 1929. Antes disso, a cidade foi chamada de São Pedro de Uberabinha e, posteriormente, apenas Uberabinha. Assim, em 2026, são 138 anos de existência, mas 97 anos com o nome atual.
Antes da escolha de Uberlândia, outros nomes foram cogitados para o município, entre eles Maravilha, Pindorama, Heliópolis, Rio Brilhante, Minas Altiva, Petrolândia, Théopolis, América, Icatú, Tingahy, Vista Alegre, Paraíso, Fidelidade, Columbia, Triangulina, Arapiranga e Gardênia.
Na avenida João Pinheiro, no Centro, uma sibipiruna plantada em julho de 1918 permanece de pé no mesmo endereço. Com mais de um século, a árvore acompanhou parte importante da transformação urbana de Uberlândia.
Crescimento populacional por década
Em 1900, Uberlândia tinha 11.856 habitantes. O número passou para 22.956 em 1920; 42.179 em 1940; 54.984 em 1950; 88.282 em 1960; 126.112 em 1970; 240.967 em 1980; 367.061 em 1991; 501.214 em 2000; 604.013 em 2010; 713.224 em 2022; e 761.835 em 2025, conforme estimativa oficial do IBGE.
População das maiores cidades de Minas Gerais
Belo Horizonte tem 2.415.872 habitantes; Uberlândia, 761.835; Contagem, 651.718; Juiz de Fora, 567.730; Montes Claros, 437.601; Betim, 431.433; e Uberaba, 356.781.











