A MGC-497, na saída de Uberlândia em direção a Prata, permanece totalmente interditada nos dois sentidos nesta segunda-feira (31). O bloqueio ocorreu após a ocupação da Fazenda Bom Jardim, na zona rural do município, nas proximidades do Posto Décio e do acesso ao bairro Chácaras Panorama.
A Polícia Militar cercou a propriedade no domingo (30) e passou a controlar o acesso ao local. A Polícia Militar Rodoviária (PMRv) interditou a rodovia para controlar a movimentação na região e garantir a segurança durante a operação.
Com a interdição, os motoristas precisam fazer uma conversão na altura do bairro Chácaras Panorama, entrar na primeira rotatória à direita e seguir até outra rotatória, próxima ao bairro Pequis, para acessar novamente a MGC-497. No sentido Prata-Uberlândia, a orientação é entrar pelo bairro Pequis e sair na altura do Chácaras Panorama.
Ainda não havia previsão informada para a liberação da rodovia. A PMRv permanecia na região acompanhando a movimentação e controlando o acesso à área ocupada.
Ocupação reúne cerca de 400 famílias
A ocupação começou no domingo (30) e, segundo o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), envolve cerca de 400 famílias. A área tem 96,76 hectares e integra o patrimônio do Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri.
Segundo informações da advogada do MTL, Marilda Ribeiro, cerca de 400 pessoas estão cadastradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e são acompanhadas pelo órgão. O movimento também afirma que houve restrição à entrada e à transferência de pessoas, veículos e materiais para a área ocupada.
Governador acompanha operação
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, esteve no local no domingo e afirmou que a estratégia das forças de segurança é manter o perímetro controlado, permitindo a saída dos ocupantes e impedindo novas entradas.
“Ninguém mais vai entrar. Se eles quiserem sair, podem sair, mas nada mais entra”, declarou o governador.
Mateus Simões também contestou a alegação de que a Fazenda Bom Jardim seria improdutiva. Segundo ele, o terreno possui atividade agrícola e sinais de cultivo recente.
“Essa área é uma área de lavoura. Vocês veem ao lado que tem uma área até de cultivo recente. Aqui nós temos plantio, está claramente feito um plantio de capim de cobertura para a segunda safra”, afirmou.
MTL questiona situação do imóvel
O MTL justificou a escolha da Fazenda Bom Jardim com base na situação patrimonial da propriedade. O imóvel integra o patrimônio do Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, administrado pela WNT Capital.
Documentos oficiais citados na apuração mostram que o fundo adquiriu a propriedade por R$ 14 milhões em 2019. Ao fim de 2025, o imóvel aparecia nas demonstrações financeiras por aproximadamente R$ 76 milhões, após avaliação pelo critério de valor justo.
O relatório também apontava a ausência dos laudos utilizados na avaliação e das matrículas atualizadas dos imóveis, o que limitava a verificação independente dos valores registrados.
Movimento diz ter acionado a Justiça
De acordo com Marilda Ribeiro, o MTL tomou medidas judiciais relacionadas à ocupação. Uma ação foi ajuizada durante a madrugada desta segunda-feira (31), por meio de um interdito proibitório, com pedido de tutela de urgência contra o grupo responsável pelo fundo proprietário da área.
A advogada informou ainda que o movimento solicitou o encaminhamento do processo à Comissão de Solução de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O caso está em análise da juíza e aguarda decisão do gabinete.











