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Mustang Dark Horse mostra como um carro de 507 cv se comporta no trânsito de São Paulo
Foto original adaptada visualmente por IA.
Carros

Mustang Dark Horse mostra como um carro de 507 cv se comporta no trânsito de São Paulo

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Dirigir um Mustang em uma pista é muito diferente de conviver com o esportivo em uma cidade congestionada. Foi com essa proposta que o novo Mustang Dark Horse passou uma semana no trânsito de São Paulo, entre ruas estreitas, ladeiras, balizas e longos períodos parado.

A versão ocupa uma posição especial na sétima geração do Mustang. Embora use o conhecido motor Coyote V8 aspirado de 5 litros, o conjunto recebeu modificações para melhorar o comportamento dinâmico. No Brasil, são 507 cv a 7.250 rpm e 567 Nm de torque a 4.900 rpm, enviados às rodas traseiras por uma transmissão automática de dez marchas.

O modelo também conta com trocas manuais pelas aletas atrás do volante, diferencial traseiro Torsen com sistema próprio de arrefecimento, suspensão adaptativa MagneRide, freios Brembo e pneus de medidas diferentes entre os eixos: 255/40 R19 na dianteira e 275/40 R19 na traseira.

O visual acompanha a proposta. O Dark Horse tem faróis escurecidos, rodas de 19 polegadas na mesma tonalidade, spoiler traseiro, quatro saídas de escape e emblemas próprios. O tradicional cavalo do Mustang permanece, mas aparece com uma identidade específica, voltado diretamente para quem observa o carro.

Com 1.832 quilos, 4,82 metros de comprimento e mais de 2 metros de largura com os retrovisores abertos, o Mustang está longe de ser um carro pequeno. A potência também exige respeito. Ainda assim, usado no modo Normal, com os controles eletrônicos ativados e sem exageros no acelerador, o modelo se mostrou mais dócil do que a aparência sugere.

Durante a avaliação, o carro não transmitiu a sensação de estar constantemente prestes a escapar do controle. A eletrônica contribui para isso com controle de estabilidade e tração, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e piloto automático adaptativo com Stop & Go.

O Dark Horse oferece cinco modos básicos de condução: Normal, Esportivo, Escorregadio, Pista e Pista Drag, além de configurações personalizadas. A direção pode ser ajustada entre os modos Normal, Esportivo e Conforto, enquanto a suspensão tem quatro configurações. O escapamento também pode operar nos modos Normal, Esportivo, Pista e Silencioso.

O V8 aspirado continua sendo o principal protagonista. Em um momento em que a indústria aposta em motores menores, turbocompressores, sistemas híbridos e eletrificação, o Mustang preserva os oito cilindros, os 5 litros e a alta rotação. O escapamento ativo permite deixar o carro mais discreto ou liberar o ronco característico do motor.

Em alguns semáforos da zona norte de São Paulo, outros motoristas chegaram a pedir que o vidro fosse abaixado para ouvir o som do V8. Quando surge espaço para acelerar, também fica evidente que o carro tem um desempenho muito superior ao que pode ser explorado integralmente em uma rua comum.

A transmissão automática de dez velocidades pode decepcionar quem prefere o câmbio manual oferecido em outros mercados, mas faz sentido no uso urbano. No trânsito, reduz o esforço do motorista, enquanto as aletas permitem maior participação quando há espaço para trocas manuais. Em condução tranquila, as dez marchas ajudam a manter o motor em funcionamento mais moderado; nos modos esportivos, a programação segura marchas e rotações por mais tempo.

Em um teste internacional, a revista Car and Driver apontou limitações da transmissão automática em uso extremo de pista. Durante sessões do Lightning Lap, houve aumento da temperatura do fluido, indecisão nas trocas e reduções consideradas inoportunas. A publicação registrou ainda que o Dark Horse marcou 2min51s2 e superou o tempo do Mach 1. No trânsito urbano, porém, a lógica é diferente e a transmissão automática se mostra mais conveniente.

A suspensão adaptativa MagneRide foi uma das surpresas no uso diário. Ela não elimina buracos e o carro continua esportivo, com rodas de 19 polegadas, mas a firmeza não resultou em impactos excessivos nas pequenas imperfeições. Valetas profundas e lombadas ainda exigem cuidado, já que a carroceria é baixa e uma abordagem em velocidade ou ângulo inadequados pode causar raspadas na parte inferior.

O carro também tem o sistema Pothole Mitigation, que identifica impactos compatíveis com a passagem por um buraco e ajusta a resposta dos amortecedores para tentar reduzir o movimento da roda e o impacto transmitido ao veículo.

As dimensões, por outro lado, não podem ser escondidas pela eletrônica. Além dos 4,82 metros de comprimento, o Mustang tem 2,71 metros de entre-eixos e 2,08 metros de largura com os espelhos abertos. Em ruas estreitas e inclinadas, o esterçamento exige mais manobras do que em um hatch compacto. A câmera de ré e os sensores traseiros ajudam, mas a configuração brasileira não indica câmera de 360 graus nem sensores dianteiros.

Embora a ficha informe capacidade para quatro passageiros, o banco traseiro é bastante limitado. Com o banco dianteiro ajustado para uma pessoa de 1,85 metro, não havia espaço adequado atrás. Mesmo passageiros mais baixos ficaram sem muita sobra. Na dianteira, a situação é diferente: os bancos parcialmente revestidos em couro e suede têm ajustes elétricos, aquecimento e ventilação. O volante também combina couro e suede e oferece aquecimento.

O Mustang Dark Horse pode ser usado para ir ao trabalho, fazer compras, enfrentar congestionamentos ou viajar, mas não se transforma em um sedã familiar. O modelo tem sete airbags: dois dianteiros, dois laterais dianteiros, dois de cortina e um para o joelho do passageiro.

Por dentro, a atual geração se distancia bastante dos Mustang anteriores. O painel digital tem 12,4 polegadas e a central multimídia mede 13,2 polegadas. O conjunto oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, GPS integrado e sistema de áudio Bang & Olufsen com 11 alto-falantes e subwoofer.

O carro ainda reúne recursos voltados ao uso esportivo. O Drift Brake, que se parece com um freio de mão convencional, é um freio de estacionamento eletrônico de alta performance desenvolvido também para facilitar manobras de drift em ambiente apropriado. Já o Line Lock trava os freios dianteiros enquanto as rodas traseiras giram, permitindo aquecer os pneus antes de arrancadas. O Track Apps registra métricas de desempenho, tempos e frenagens.

O consumo é elevado, como seria esperado de um V8 aspirado de 5 litros e 507 cv movendo mais de 1,8 tonelada. A ficha fornecida pela Ford não informa médias oficiais. Durante a avaliação, o consumo ficou em torno de 4,6 km/l, em deslocamentos realizados em horários de trânsito intenso em São Paulo.

Os recursos eletrônicos tornam o Mustang Dark Horse mais fácil de conduzir do que sua potência e suas dimensões poderiam sugerir, mas não anulam as leis da física. Ele continua sendo um carro de 507 cv, tração traseira e capacidade de atingir velocidades muito altas em pouco tempo. Controle de estabilidade, controle de tração, diferencial Torsen, suspensão MagneRide e pneus largos ajudam, mas exigem responsabilidade do motorista.

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