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Moisés Lopes relembra dificuldades e celebra trajetória até a SPFW
Foto original adaptada visualmente por IA.
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Moisés Lopes relembra dificuldades e celebra trajetória até a SPFW

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Nascido e criado na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o influenciador Moisés Lopes relembra os desafios enfrentados antes de conquistar espaço no mercado. A participação na São Paulo Fashion Week (SPFW), os trabalhos com grandes marcas e as viagens internacionais passaram a integrar sua trajetória profissional.

Para Moisés, chegar a esses ambientes representa mais do que uma conquista na carreira. Negro, gay e periférico, ele afirma que sua história contrasta com a realidade de muitos jovens que ainda veem determinadas oportunidades como distantes.

“Eu venho de uma realidade em que muitos lugares que hoje frequento pareciam muito distantes da minha vida. Sou negro, gay, nascido e criado na favela do Jacarezinho, e já passei por momentos de muita dificuldade. Quando comecei a conquistar coisas que pareciam fora da minha realidade, percebi que eu também poderia ocupar esses espaços”, conta.

Segundo o influenciador, a mudança ocorreu gradualmente, à medida que cada novo trabalho confirmava a possibilidade de transformar em rotina aquilo que antes parecia inacessível. Ele também passou a perceber que sua trajetória era acompanhada por jovens que encontravam nela uma referência.

“Hoje, quando vejo outros jovens negros e periféricos acompanhando minha trajetória, entendo que não é só sobre mim. É sobre mostrar que é possível sonhar, ocupar esses lugares e ir além da realidade em que a gente nasceu”, afirma.

Ao ampliar sua atuação, Moisés começou a trabalhar com grandes marcas e diz que não precisou criar um personagem para se encaixar no mercado publicitário.

“Eu não tento ser um personagem para me encaixar em um padrão. Levo para o meu trabalho a minha personalidade, meu humor, minha história e o meu jeito de enxergar a vida”, explica.

Ele afirma que a autenticidade passou a orientar sua carreira e sua comunicação com o público. “Hoje consigo trabalhar com marcas importantes sem precisar abrir mão de quem eu sou. Pelo contrário, acredito que é justamente a minha identidade que torna cada parceria mais verdadeira e faz com que a mensagem chegue de uma forma mais natural para quem me acompanha.”

Apesar dos avanços da diversidade na publicidade, na moda e no entretenimento, Moisés diz que ainda sente a necessidade de provar mais por ser um homem negro, gay e periférico.

“Sim, muitas vezes sinto que preciso provar mais. Ser um homem negro, gay e periférico ainda faz com que algumas pessoas tenham uma visão limitada sobre até onde podemos chegar”, declara.

O influenciador ressalta, porém, que não quer ser reconhecido apenas pela representatividade. Para ele, sua origem é parte de sua identidade, mas não deve se sobrepor ao talento e à capacidade profissional.

“Eu não quero ser reconhecido apenas pela minha história ou pela minha representatividade, mas principalmente pelo meu trabalho, pelo meu talento e pela minha capacidade. Acho que ocupar esses espaços com naturalidade também é uma forma de mostrar que nós podemos estar em qualquer lugar.”

Antes das viagens, dos eventos e das parcerias com marcas, Moisés precisou aprender sozinho a transformar oportunidades em profissão. Vindo de uma família pobre e sem muitas referências de profissionais com uma trajetória semelhante, ele afirma que grande parte do aprendizado ocorreu na prática.

“Um dos maiores desafios foi começar sem estrutura e sem muitas referências de pessoas que tivessem uma trajetória parecida com a minha. Precisei aprender muita coisa na prática, inclusive a me posicionar e entender o meu valor profissional”, conta.

Com o crescimento da carreira, o influenciador também passou a encarar as oportunidades de outra forma. “Oportunidade é importante, mas não basta. É preciso ter responsabilidade, profissionalismo, saber se comunicar, cumprir o que foi combinado e, principalmente, entender que cada trabalho pode abrir uma nova porta. Foi assim que comecei a transformar oportunidades pontuais em uma carreira.”

Moisés também afirma sentir responsabilidade ao ocupar campanhas, eventos e outros espaços de visibilidade. Para ele, sua presença pode ajudar jovens negros e periféricos a enxergarem possibilidades onde antes viam limites.

“Eu sinto uma responsabilidade muito grande, porque sei que a minha presença pode fazer alguém acreditar que também é possível. Quando um jovem negro e periférico olha para a minha trajetória, quero que ele enxergue possibilidades, não limites.”

Na avaliação do influenciador, representatividade não significa apenas chegar a determinados lugares, mas também mostrar que eles podem ser ocupados por outras pessoas.

“Para mim, representatividade é justamente isso: não apenas chegar a esses lugares, mas mostrar que existe espaço para outras pessoas também. Se a minha história puder inspirar alguém a acreditar mais em si e correr atrás dos próprios sonhos, já sinto que tudo valeu a pena.”

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