O gênero roguelike, hoje presente em diversas franquias e até considerado saturado por parte do público, já demonstrava força no início dos anos 1990. Na época, a combinação entre uma mecânica pouco convencional e uma das principais séries japonesas de RPG ajudou a estabelecer uma nova forma de fazer videogames.
Lançado originalmente para o Super Famicom como Torneko no Daibōken Fushigi no Dungeon, o jogo foi responsável por consolidar o estilo conhecido como Mystery Dungeon. Décadas depois, o título chega ao Ocidente como Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon – Classic HD, resgatando a importância de uma produção que posteriormente inspirou derivados de franquias como Pokémon.
O Mystery Dungeon é baseado na exploração de masmorras geradas proceduralmente, divididas em andares e percorridas em uma movimentação por grades. O mundo só se movimenta depois de cada ação do jogador, como caminhar, atacar ou utilizar um item, em uma dinâmica que remete a um jogo de xadrez.
A administração de recursos é um dos principais elementos da experiência. É necessário se alimentar, aprimorar equipamentos e organizar o inventário para manter apenas o que será útil durante a jornada. Encontrar o equilíbrio entre explorar cada área e avançar é essencial, já que buscar itens em excesso pode consumir rapidamente os suprimentos disponíveis.
A morte tem consequências severas. Quando o personagem é derrotado, a jornada recomeça do zero, o mapa é alterado e as posições de itens, monstros e escadas deixam de ser previsíveis. Além disso, a experiência retorna ao nível inicial e os equipamentos são perdidos.
No jogo, o personagem controlado é Taloon, o mercador de Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen. A progressão que permanece entre as tentativas está ligada ao comércio: é possível expandir a loja, aumentar a capacidade do inventário e liberar novos recursos.
Essa estrutura reforça o pioneirismo de Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon, considerado fundamental para a criação e a consolidação de um subgênero dos roguelikes. A fórmula acabou sendo adotada por diferentes franquias ao longo dos anos.
Na versão HD, os gráficos pixelados do Super Famicom foram preservados. A atualização oferece um aumento moderado de resolução e adapta os cenários para o 3D, sem abandonar a identidade visual original. Os sprites dos personagens criados por Akira Toriyama também permanecem como parte importante do charme da produção.
O alto nível de dificuldade, característico dos roguelikes dos anos 1990, continua presente. O resultado pode afastar jogadores mais novos de Dragon Quest e de RPGs em geral, especialmente porque o acaso também influencia as partidas. Em alguns momentos, a sorte pode tornar uma nova tentativa a melhor alternativa.
A versão HD permite ajustar o desafio, mas os facilitadores desativam os troféus. Assim, aumentar significativamente o ganho de experiência, por exemplo, implica abrir mão das conquistas no perfil.
Um dos pontos que poderiam ter recebido mais atenção é a interface. As fontes e as caixas dos menus poderiam ser revisadas, principalmente para tornar mais rápida a navegação pelos itens. Embora o jogo não tenha o aspecto genérico de alguns títulos antigos para celulares da Square Enix, há espaço para melhorias nesse aspecto.
Veredito
Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon permanece relevante por ter ajudado a fundar e consolidar o Mystery Dungeon, um subgênero que se expandiu para diferentes franquias, incluindo Pokémon. A chegada ao Ocidente com localização em inglês, ainda que sem textos em português, oferece a oportunidade de conhecer um clássico importante para a história do game design japonês.
O jogo foi analisado no PS5 Pro. Um código foi fornecido pela Square Enix para a realização da análise.











