Uma pesquisa do Pew Research Center revelou que 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que animados com o avanço da inteligência artificial. O índice supera a mediana global, de 37%, e evidencia o receio da população em relação aos efeitos da tecnologia.
O principal temor está relacionado ao mercado de trabalho. Para 42% dos brasileiros, a expansão da inteligência artificial resultará em menos empregos nos próximos 20 anos. Outros 13% esperam aumento no número de vagas, enquanto 34% não souberam responder ou ainda não têm uma opinião formada.
A expectativa de redução de postos de trabalho também foi registrada na maioria dos países analisados. Em 34 dos 37 países e territórios pesquisados, mais pessoas esperam uma queda do que um aumento no número de empregos. A mediana entre os países de renda média é de 36% dos entrevistados, enquanto entre os países de renda alta chega a 55%.
Preocupação é maior entre jovens
Entre os brasileiros de 18 a 34 anos, a parcela dos que se dizem mais preocupados do que animados com a inteligência artificial passou de 32%, em 2025, para 44%, em 2026. O crescimento foi de 12 pontos percentuais em um ano.
O receio em relação aos empregos também aparece entre jovens de outros países. Nos Estados Unidos, 74% dos entrevistados nessa faixa etária acreditam que a IA reduzirá as vagas. O percentual é de 69% no Canadá, 66% na França e 63% na Suécia.
Apesar da preocupação, 27% dos brasileiros afirmam nunca ter ouvido ou lido sobre inteligência artificial. Outros 42% dizem ter tido pouco contato com informações sobre o tema, enquanto 31% afirmam ter ouvido ou lido muito a respeito. Essa última parcela aumentou de 22%, em 2025, para 31%, em 2026. Entre os países de renda média, a mediana é de 27%.
Desigualdade econômica
A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre os possíveis efeitos da inteligência artificial na desigualdade econômica. Para 24% dos entrevistados, a tecnologia aumentará a desigualdade no país nos próximos 20 anos. Outros 35% acreditam que a IA não terá impacto significativo nesse aspecto.
Nos países de renda alta, a mediana dos que esperam aumento da desigualdade é de 35%. Entre os países de renda média, o índice chega a 22%. Os resultados indicam que, no Brasil, a preocupação com a inteligência artificial está concentrada principalmente no futuro do trabalho, enquanto uma parcela relevante da população ainda tem pouco ou nenhum contato com informações sobre a tecnologia.











