A Justiça Federal condenou 10 integrantes de uma organização criminosa desarticulada pela Polícia Federal no Triângulo Mineiro. Somadas, as penas ultrapassam 200 anos de reclusão por crimes relacionados ao tráfico internacional e ao comércio ilegal de armas de fogo de alto poder ofensivo e munições de uso restrito.
Segundo as investigações, o grupo importava armamentos de longo alcance do Paraguai e usava cidades da região como entreposto para redistribuir o material a grupos criminosos em Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia.
As penas aplicadas foram: Ricardo Batista da Silva, 41 anos, 7 meses e 27 dias, por tráfico transnacional, tráfico doméstico de armas de uso restrito e associação criminosa armada; Josielica Aparecida da Silva, 33 anos, 9 meses e 18 dias, pelos mesmos crimes; Décio Túlio Vieira da Silva Alves, 20 anos e 6 meses, por tráfico transnacional de armas de uso restrito e contrabando; e Derlis Alberto Maqueda, 19 anos, 8 meses e 7 dias, por tráfico transnacional de armas de uso restrito.
Também foram condenados George Ferreira Duarte, a 18 anos, por tráfico doméstico de armas de uso restrito; Juan Elizardo Segovia Lopez, a 16 anos, 2 meses e 12 dias, por tráfico transnacional de armas de uso restrito; Filipe Silva de Oliveira, a 14 anos, 8 meses e 12 dias, por tráfico doméstico de armas de uso restrito; e Yldefonso Antonio Contrera Fernandez, a 13 anos e 6 meses, por tráfico transnacional de armas de uso restrito.
Murilo da Silva Rodrigues foi condenado a 13 anos, 1 mês e 15 dias, por tráfico doméstico de armas de uso restrito. Wanessa Kethlyn Medeiros de Macedo recebeu pena de 10 anos e 6 meses pelo mesmo crime.
As condenações são resultado dos desdobramentos da Operação Scutum, deflagrada pela Polícia Federal para desmantelar a rede clandestina. As apurações apontaram que o Triângulo Mineiro, especialmente Uberlândia, ocupava uma posição estratégica na rota do tráfico de armas e drogas por causa das ligações com as regiões Sudeste e Centro-Oeste.
A primeira fase da operação ocorreu em outubro de 2024 e revelou o modo de atuação da organização no transporte dos armamentos vindos do Paraguai. Na segunda etapa, a Polícia Federal identificou núcleos ativos em Uberlândia, Patrocínio e Ituiutaba, além de Catalão, em Goiás. Mandados de busca e prisão temporária foram cumpridos durante essa fase.
Em etapas posteriores, a investigação avançou sobre o núcleo de Uberlândia. Segundo a Polícia Federal, um ex-integrante do Exército Brasileiro e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que trabalhava em um clube de tiro na cidade, participava dos testes dos armamentos de grosso calibre trazidos ilegalmente.
Além do comércio e do tráfico de armas, a organização mantinha um esquema de lavagem de dinheiro. Conforme as investigações, os suspeitos usavam uma garagem de veículos e uma loja de celulares e eletrônicos em Uberlândia para ocultar recursos obtidos com os crimes.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores da organização criminosa. Policiais federais também cumpriram mandados de prisão em Uberlândia durante a Operação Scutum.











