O maestro paulista Roberto Tibiriçá morreu na madrugada deste sábado (3), em São Paulo, aos 72 anos. Desde 2022, ele ocupava os cargos de regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP).
Tibiriçá estava internado na capital paulista para tratar um câncer. O velório será realizado em São Paulo, em local ainda a ser divulgado.
A OSP e o Teatro Guaíra lamentaram a morte do maestro. Nas redes sociais, Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, homenageou o regente. A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira também publicou uma manifestação de pesar.
Em 1994, Roberto Tibiriçá assumiu a direção artística da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e, posteriormente, tornou-se regente titular da instituição. Sua última apresentação ocorreu em 16 de julho, em Londrina (PR), à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná, durante o projeto Guaíra para Todos.
Trajetória artística
Roberto Tibiriçá iniciou a carreira erudita como pianista, aos 8 anos. Ele estudou regência com Eleazar de Carvalho, com quem trabalhou por 18 anos na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, o maestro comandou algumas das principais orquestras do Brasil e do exterior, entre elas a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Entre 1984 e 1985, atuou como regente assistente no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.
No Brasil, regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música e a Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli. Também dirigiu as orquestras sinfônicas de Campinas, São Bernardo do Campo e Minas Gerais, esta última entre 2010 e 2013.
Desde 1974, Tibiriçá também atuava como diretor artístico de gravadoras brasileiras. Ele foi responsável por iniciativas pioneiras em gravações clássicas, com destaque para o único LP gravado no Brasil pela pianista Guiomar Novaes exclusivamente com músicas brasileiras, registrado no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O maestro participou de diversas edições do Projeto Aquarius, incluindo a Missa Campal celebrada pelo papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, em 1997, durante a última viagem do pontífice ao Brasil. Na ocasião, o público estimado foi de cerca de 2 milhões de pessoas.
No fim dos anos 1980, em São Paulo, Roberto Tibiriçá fundou a Orquestra Nova Filarmonia, que acompanhou, entre outros artistas, o cantor lírico italiano Luciano Pavarotti.
Em 1995, foi eleito pela crítica especializada do Rio de Janeiro como Músico do Ano e recebeu do governo do estado o Prêmio Estácio de Sá pelo trabalho realizado com a Orquestra Sinfônica Brasileira. De 2000 a 2003, ocupou o cargo de diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música.
Em março de 2003, Tibiriçá tornou-se titular da cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música. Desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música, no Rio de Janeiro.











