A 18 dias do segundo turno das eleições, Flávio Bolsonaro e Lula reformulam as estratégias adotadas na primeira etapa da campanha. Enquanto Flávio busca ampliar as articulações políticas e detalhar suas propostas de governo, Lula se aproxima de aliados jovens e concentra esforços na comunicação digital.
Na quarta-feira (4), em Brasília, Flávio se reuniu com integrantes da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além de candidatos eleitos pelo PL. Lula, por sua vez, encontrou-se com jovens parlamentares eleitos para intensificar a atuação nas redes sociais.
Flávio também recebeu, nesta semana, manifestações públicas de apoio de Ronaldo Caiado (PSD), Zema (Novo) e políticos da bancada ruralista. PP e União Brasil igualmente reforçaram o apoio à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na terça-feira (6), Flávio esteve em Goiânia, onde recebeu oficialmente o apoio de Ronaldo Caiado para o segundo turno presidencial. Além das alianças com o ex-governador de Goiás e com Zema, a nova etapa da disputa deverá envolver acordos estaduais articulados por deputados e senadores eleitos.
Parte dos políticos pretende manter a estrutura de campanha individual organizada no primeiro turno e utilizá-la para ampliar o apoio à candidatura do PL.
Durante o ato em Goiânia, Flávio apresentou propostas e afirmou que pretende aproveitar a maioria no Congresso e no Senado para “mudar a Constituição para democratizar o país”. Nesta quarta-feira, ao ser questionado, explicou que se referia a medidas que dependeriam de emendas constitucionais.
“Tem que haver, sim, uma reforma no Judiciário. Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, tem que ser feito por PEC [Proposta de Emenda à Constituição]. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição”, afirmou.
Entre as propostas mencionadas está uma reforma no funcionamento do Judiciário, especialmente no Supremo Tribunal Federal (STF), com mudanças nas regras para decisões monocráticas dos ministros. Segundo Flávio, as alterações seriam feitas pelo processo legislativo e respeitando a Constituição.
O candidato também defende reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilização penal. Como a idade mínima está prevista no artigo 228 da Constituição, a mudança dependeria da aprovação de uma PEC.
Outra proposta é o fim da reeleição. Flávio afirma que, se eleito, não pretende disputar um segundo mandato consecutivo e quer usar o capital político do início de um eventual governo para defender a medida. A definição sobre a duração dos mandatos e os cargos atingidos ficaria a cargo do Congresso.
“É o Congresso que vai definir os critérios: se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador”, disse.
Durante o discurso na capital goiana, Flávio também mencionou a castração química para estupradores. As propostas que exigem mudanças na Constituição dependeriam do apoio de outros partidos. Para aprovar uma PEC, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação. Embora o PL tenha elegido 121 deputados e 28 senadores, o partido não reúne sozinho os votos necessários.
Lula, por outro lado, passou a revisar a estratégia de comunicação depois de terminar o primeiro turno na segunda colocação. Nesta quarta-feira, o presidente se reuniu com deputados eleitos com influência no ambiente digital, entre eles Ana Elisa e Pedro Rousseff, do PT, e Érika Hilton, Sâmia Bomfim e Jones Manoel, do Psol.
Uma das mudanças previstas é a adoção de um discurso mais combativo em relação a Flávio, principalmente em temas de forte apelo entre os eleitores, como o debate sobre o fim da escala 6×1.
Senadores da base governista defendem a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição sobre o tema e passaram a adotar um tom mais duro contra o adversário, associando Flávio a posições contrárias ao fim da jornada.
A campanha de Lula também pretende concentrar esforços nos 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A estratégia inclui alcançar públicos fora da chamada bolha petista, formada principalmente por eleitores que já apoiam o candidato.
Uma das iniciativas é mobilizar a militância por meio de materiais de campanha distribuídos em grupos de WhatsApp ligados à esquerda. O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou na quarta-feira que a campanha de Lula já destinou R$ 13 milhões ao impulsionamento de conteúdos nas redes sociais.
Para o segundo turno, a equipe também lançou a plataforma “Bora Lula! Bora Brasil!”, destinada a reunir sugestões, materiais e estratégias de apoiadores. O portal permite que qualquer pessoa envie contribuições à campanha.
A iniciativa complementa a atuação do PT nas redes sociais, nos sites oficiais e no canal da legenda no WhatsApp, que, segundo o partido, reúne cerca de 100 mil inscritos.
Ainda de acordo com o PT, o perfil de Lula no Instagram, considerado pela campanha sua principal plataforma digital, acumulou mais de 2,2 bilhões de visualizações nos últimos 30 dias. No mesmo período, as contas do partido no Instagram e no TikTok registraram, juntas, mais de 575 milhões de visualizações.











