A ausência de um posicionamento público de Selton Mello tem gerado cobranças nas redes sociais e, segundo relatos, também chegou a grupos de WhatsApp de artistas, produtores e profissionais ligados ao cinema brasileiro.
O questionamento ocorre em razão da trajetória do ator, associada a uma das histórias mais marcantes da memória nacional. Em Ainda Estou Aqui, Selton Mello interpretou Rubens Paiva, ex-deputado sequestrado, torturado e assassinado por agentes da ditadura militar.
O filme conquistou o Oscar de melhor filme internacional e levou ao público internacional a história de uma família marcada pelo autoritarismo. Nesse contexto, a falta de manifestação do ator provoca dúvidas entre pessoas que esperam ouvir também quem ajudou a dar voz a essa história.
A discussão não significa exigir que todos comentem cada acontecimento, mas reconhece que o cinema brasileiro depende de financiamento, distribuição, empregos e condições para continuar existindo. Para profissionais preocupados com os rumos da cultura, questionar o silêncio de uma figura representativa do setor é considerado legítimo.
Selton Mello tem o direito de escolher quando falar, enquanto o público pode questionar os motivos de sua ausência. A arte, além de representar uma forma de consagração individual, também é um patrimônio coletivo que precisa ser defendido fora das telas.
A comparação com Rubens Paiva exige responsabilidade, já que as circunstâncias são radicalmente diferentes: o ex-deputado não teve a possibilidade de escolher o próprio silêncio e foi silenciado à força. Ainda assim, permanece a pergunta dirigida ao ator, não ao personagem: Selton Mello ainda está aqui?











