Uberlandia, MG Sex, 16 de outubro
21° Máx. 26° · Mín. 19° Garoa
Previsão para Uberlândia Hoje: garoa
Amanhã, 17/10 27° 19° 74% chuva
dom, 18/10 27° 18° 8% chuva
seg, 19/10 29° 17° 4% chuva
ter, 20/10 32° 18° 49% chuva
qua, 21/10 32° 21° 41% chuva
qui, 22/10 31° 21° 79% chuva
sex, 23/10 30° 20° 70% chuva
Dados meteorológicos fornecidos por Open-Meteo.
Fonte de nêutrons encontrada na UFU será recolhida e levada para Belo Horizonte
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Fonte de nêutrons encontrada na UFU será recolhida e levada para Belo Horizonte

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

A antiga fonte de nêutrons localizada no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está armazenada em uma área isolada e segura, segundo informou a universidade. O material deve ser recolhido ainda neste mês, após avaliação técnica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e encaminhado ao Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte, para armazenamento e destinação adequados.

A fonte foi identificada durante um inventário obrigatório realizado para a regularização e a concessão de licenças de funcionamento dos laboratórios. De acordo com Paula Duarte Correia, professora do Instituto de Física da UFU e supervisora de proteção radiológica certificada pela CNEN, o item foi adquirido na década de 1960 pela antiga Faculdade de Engenharia e estava guardado dentro de um cofre.

Segundo a professora, a fonte é sólida, está totalmente selada e possui vários invólucros de segurança que garantem a blindagem. Ela afirmou que o material não emite radiação externa. A identificação ocorreu depois que a universidade pesquisou a origem do item encontrado durante o inventário.

Paula Duarte explicou ainda que a aquisição da fonte ocorreu antes da estruturação do sistema brasileiro de fiscalização de radiação. Por isso, a CNEN e a universidade não tinham cadastro nem conhecimento prévio sobre o material. Após a descoberta, foi feita uma avaliação inicial e a comissão foi acionada para providenciar a remoção.

“Não podemos colocar num carro e levar embora. A remoção exige protocolos da Comissão Nacional”, explicou a supervisora.

O chefe da Divisão de Emergências Radiológicas da CNEN, Walter Menezes Ferreira, informou que, pelas fotografias enviadas pela UFU, a fonte foi identificada como sendo de amerício-berílio, material utilizado para produzir nêutrons. A equipe da comissão ainda não havia estado no local quando fez essa avaliação.

Com mais de 60 anos, a fonte provavelmente não estava sob controle regulatório e deve ser recolhida por não ter mais uso. Ferreira afirmou que é comum encontrar, em universidades, fontes antigas utilizadas em pesquisas. Segundo ele, o material não oferece risco nas condições atuais, por estar blindado e armazenado em uma sala.

A CNEN ressaltou, porém, que a primeira avaliação não contou com equipamento específico para detectar nêutrons. A caracterização detalhada ainda será realizada. “Não é uma emergência nem nada. É um procedimento, um protocolo que será executado para o recolhimento do material radioativo”, afirmou Ferreira.

A fiscalização de instalações e materiais nucleares cabe à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Já a CNEN é responsável por recolher materiais que a instituição não pretende mais utilizar e encaminhá-los a depósitos intermediários de rejeitos radioativos. Caso a universidade tivesse interesse em manter a fonte em uso, a avaliação caberia à ANSN.

O recolhimento deve ser feito por duas ou três pessoas da CNEN, em viatura própria e com plano de transporte. O local também será monitorado na chegada da equipe. A CNEN ainda não informou a data da operação, mas a UFU afirmou que ela ocorrerá ainda neste mês de outubro.

Os nêutrons são partículas subatômicas sem carga elétrica que ficam no núcleo dos átomos, junto com os prótons. Apesar de não possuírem carga, podem provocar reações que geram radiação ao colidir com outros átomos. Fontes desse tipo precisam ser armazenadas com estruturas de contenção e blindagem, que podem incluir concreto, água e parafina.

De acordo com a professora da UFU, a fonte encontrada está selada e protegida por estruturas de segurança. Por isso, segundo ela, não foi identificado risco de emissão de radiação. Uma medição inicial feita com contador Geiger também não registrou índices acima da radiação natural de fundo do ambiente. A CNEN reforçou, entretanto, que o equipamento não detectava nêutrons e que a análise completa ainda será feita.

No Brasil, a CNEN é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atua na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias nucleares aplicadas à saúde, à indústria, à agricultura e à energia. O CDTN, em Belo Horizonte, é uma das seis unidades técnico-científicas da comissão e é o destino indicado para a fonte da UFU.

Criada em 2021 e vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a ANSN é responsável, desde agosto de 2025, por fiscalizar, normatizar e licenciar instalações e materiais nucleares no país. A autarquia também define critérios de proteção radiológica e acompanha o cumprimento de acordos internacionais de salvaguardas.

Universidades que utilizam fontes radioativas em atividades de ensino e pesquisa precisam obter licença antes de iniciar o funcionamento. A Norma CNEN NN 6.02 classifica esses locais como instalações radiativas e exige autorizações específicas para aquisição ou movimentação de fontes e para operação. Desde agosto de 2025, a função de órgão regulador passou a ser da ANSN.

Durante o licenciamento, a instituição deve apresentar, entre outros documentos, planos de proteção radiológica, de gerenciamento de rejeitos e de transporte de materiais radioativos. Também precisa manter registros de entrada e saída das fontes, inventário atualizado, controle de acesso às áreas e um responsável pela segurança do material. Conforme a classificação da instalação, pode ser exigido ainda um plano de proteção física.

A instalação deve contar com um responsável pela proteção radiológica, geralmente um supervisor certificado pela Norma 7.01. Esse profissional acompanha o cumprimento do plano aprovado pelo órgão regulador, enquanto o titular, responsável legal pela instalação, responde pelo cumprimento das normas. Segundo Ferreira, o supervisor deve comunicar à ANSN a descoberta de material radioativo, e a professora da UFU agiu corretamente ao informar o achado.

Desde abril de 2022, as normas proíbem que uma fonte radioativa fique fora de uso por tempo indeterminado. Quando o material deixa de ser utilizado, a instituição deve solicitar ao regulador o recolhimento para um depósito de rejeitos, a devolução ao fabricante ou a transferência para outra instalação autorizada. A fonte deve permanecer em local de acesso restrito, sinalizado com o símbolo de radiação e, no caso de fontes de nêutrons, cercado por materiais de blindagem adequados.

O descumprimento das regras pode resultar em sanções administrativas. A CNEN avalia que a fonte encontrada na UFU provavelmente não estava sob controle regulatório. A situação do licenciamento do laboratório do Instituto de Física não havia sido esclarecida. Depois da caracterização, o material deverá ser levado ao CDTN para destinação e controle definitivos.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×700
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...