O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14) que uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na Groenlândia. A declaração ocorre em meio à disputa do governo norte-americano com o território dinamarquês, que tem resistido às tentativas de controle dos EUA e proibiu novas perfurações em busca de petróleo bruto.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump chamou a ilha ártica, administrada por um governo semiautônomo, de “nossa nova e bela Groenlândia”. Ele também elogiou o que considera ganhos dos Estados Unidos decorrentes de um acordo de segurança assinado em setembro.
O gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia se recusou a comentar a declaração. O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e o Ministério de Recursos Minerais da Groenlândia não responderam imediatamente aos pedidos de manifestação.
Desde 2019, Trump afirma que os Estados Unidos deveriam comprar ou tomar posse da Groenlândia, território estrategicamente localizado e rico em minerais. Em diferentes ocasiões, ele se recusou a descartar o uso da força para alcançar esse objetivo.
No mês passado, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia chegaram a um acordo para permitir o reforço da presença militar norte-americana na ilha. O entendimento parecia ter encerrado o impasse, mas não concedeu aos Estados Unidos direitos de mineração ou perfuração.
“Uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar”, escreveu Trump. Segundo ele, especialistas afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível na Groenlândia é muito maior do que a existente em praticamente qualquer outro território do mundo. O presidente, porém, não citou um acordo específico nem apresentou um projeto concreto de desenvolvimento.
A Groenlândia proibiu a mineração de urânio e toda futura exploração de petróleo em 2021. O governo local analisa se a empresa texana Greenland Energy poderá utilizar licenças emitidas antes da proibição. Em agosto deste ano, a companhia informou que planejava perfurar em busca de petróleo em 2027, em uma bacia ainda não explorada na costa leste da Groenlândia, embora não tivesse licença própria para a atividade.
A proprietária anterior da área, a Arco, investiu em trabalhos sísmicos na década de 1970, mas nunca realizou perfurações.
Para o consultor independente dinamarquês de política de segurança Jacob Kaarsbo, os comentários de Trump podem indicar que o desejo do presidente de controlar a Groenlândia permanece inalterado. “É extremamente perigoso considerar esse acordo entre o governo Trump e a Dinamarca como algo que tenha alterado as intenções de Trump”, declarou.
O acordo de 10 páginas entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia abriu caminho para duas novas bases militares e para o sistema de defesa antimísseis “Domo de Ouro”, de Trump. O documento também reafirmou a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação.
Em outra publicação, Trump afirmou que qualquer futuro ataque aos Estados Unidos teria de passar pela Groenlândia, onde, segundo ele, a Defesa norte-americana derrubaria drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma. “Isso nos dá tempo, localização e linha de visão como em nenhum outro lugar do mundo!”, acrescentou.











