Bancos dos Estados Unidos estão restringindo o acesso de agentes de inteligência artificial às contas financeiras de clientes para evitar movimentações não autorizadas. Em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira (16), Rick Wurster, CEO da Charles Schwab Corp., afirmou que a empresa bloqueia ferramentas externas que tentam movimentar dinheiro em nome dos usuários, incluindo o Muse, da Meta.
Segundo Wurster, a medida busca proteger os clientes e a própria instituição de possíveis problemas relacionados ao uso dessas ferramentas, especialmente quando elas recebem credenciais de acesso às contas. Apesar das restrições, o executivo reconheceu que a inteligência artificial pode auxiliar na gestão financeira e disse que a Schwab pretende permitir o uso de modelos externos em determinadas atividades, desde que existam mecanismos de segurança.
A Charles Schwab não permite que agentes externos acessem as contas dos clientes para executar operações financeiras sem os controles necessários. Wurster questionou quem seria responsabilizado caso uma ferramenta recebesse a senha de um usuário, realizasse uma operação indevida e causasse prejuízos.
“Não queremos que alguém simplesmente forneça sua senha ao Muse e deixe que ele entre e tome decisões em nome desse cliente”, afirmou o executivo. Ele acrescentou que a empresa não conseguiria controlar completamente o comportamento do agente e que o próprio cliente também poderia perder o controle sobre as ações realizadas.
Wurster informou que recebe relatórios semanais sobre as tentativas bloqueadas. De acordo com ele, os principais agentes de IA são impedidos de acessar as contas financeiras em dezenas de ocasiões por semana, com registros na casa das dezenas ou de vinte e poucas ocorrências. Para o executivo, os números indicam que, embora as pessoas demonstrem interesse pela inteligência artificial, ainda não estão dispostas a confiar plenamente a essas ferramentas o controle de suas contas financeiras.
Como alternativa aos agentes externos, a Charles Schwab pretende direcionar os clientes ao Charley, assistente de inteligência artificial desenvolvido pela própria companhia e apresentado no mês anterior à entrevista. A ferramenta faz parte da estratégia da empresa para incorporar IA aos serviços financeiros sem abrir mão do controle sobre as operações realizadas em nome dos usuários.
A Schwab também planeja preparar conexões seguras para integrar modelos externos de linguagem de grande porte aos seus sistemas. A companhia pretende utilizar servidores baseados no Model Context Protocol (MCP), protocolo que permite conectar modelos de IA a sistemas e fontes de dados.
Segundo Wurster, essas conexões permitirão à instituição controlar o processo de autenticação e definir quais informações poderão ser acessadas por cada ferramenta. Com essa estrutura, os modelos externos poderão consultar saldos de contas e realizar pesquisas, mas não terão permissão para movimentar dinheiro.
A posição da Charles Schwab acompanha declarações recentes de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase & Co. No início da mesma semana, o executivo afirmou que também não pretende conceder acesso irrestrito de agentes externos às informações das contas de seus clientes.
As declarações indicam uma preocupação compartilhada por executivos do setor bancário com os limites de acesso de ferramentas de inteligência artificial a dados financeiros e operações sensíveis. As instituições citadas não rejeitam o uso da tecnologia pelos consumidores, mas defendem mecanismos para controlar quais informações os agentes podem consultar e quais ações estão autorizados a executar.











