Instagram, Facebook, TikTok e YouTube estão ampliando recursos que permitem aos usuários personalizar as recomendações exibidas nos feeds. A mudança ocorre após críticas de pessoas que se sentem presas a sugestões automáticas nem sempre alinhadas aos seus interesses.
Com o avanço da inteligência artificial (IA), as plataformas passaram a interpretar pedidos mais específicos e a oferecer novas formas de influenciar o conteúdo exibido. Ainda assim, o comportamento dos usuários continua sendo um desafio: mesmo quando pedem publicações mais leves, muitos clicam em posts que provocam indignação.
Durante anos, as redes sociais priorizaram recomendações automáticas em vez de publicações das contas seguidas. O objetivo era prever quais conteúdos despertariam interesse e manteriam as pessoas conectadas por mais tempo. O modelo, porém, também foi criticado por conduzir usuários a sequências de vídeos irrelevantes ou potencialmente prejudiciais.
O Instagram tenta modificar essa dinâmica com o recurso “seu algoritmo”. A ferramenta apresenta os assuntos que a plataforma associa aos interesses de cada pessoa e permite indicar quais temas ela deseja ver com mais ou menos frequência. Lançado inicialmente na aba Reels, o recurso foi ampliado para todo o aplicativo e também chegou ao Facebook.
À CNN, Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, afirmou que a intenção é devolver parte do controle que os usuários tinham quando escolhiam quais contas seguir, sem eliminar as recomendações usadas para descobrir novos conteúdos.
As plataformas adotaram soluções diferentes. No Instagram, o recurso “seu algoritmo” permite consultar e ajustar os temas associados aos interesses do usuário. O Facebook recebeu a ferramenta de personalização, ampliando as opções de controle das recomendações.
O TikTok oferece controles para regular a frequência de categorias de conteúdo, além de uma ferramenta separada para filtrar palavras-chave e termos relacionados. Já o YouTube anunciou feeds personalizados em abas próprias, direcionadas a interesses como exercícios físicos e vídeos de ASMR.
O Instagram também disponibiliza opções de feed cronológico e de contas favoritas. As alternativas foram introduzidas em 2022 para complementar o feed principal de recomendações.
As mudanças não impedem a exibição de todo conteúdo produzido com inteligência artificial. Neal Mohan, CEO do YouTube, argumentou que separar vídeos gerados por IA daqueles feitos por pessoas é uma distinção artificial, porque muitas produções combinam as duas formas.
A personalização mais direta depende de sistemas capazes de compreender instruções em linguagem natural. Em vez de deduzir todas as preferências a partir de visualizações e interações, as plataformas podem interpretar pedidos sobre os assuntos que devem aparecer com maior ou menor frequência.
Segundo Lyons, em declaração à CNN, esse avanço permite que os usuários expressem suas preferências com as próprias palavras. Antes, explicou, as plataformas tinham dificuldade para identificar com precisão quais publicações correspondiam a temas específicos, como tênis.
O comportamento, contudo, nem sempre representa aquilo que as pessoas gostariam de ver. Tim Weninger, professor de ciência da computação e engenharia da Universidade de Notre Dame, observa que conteúdos capazes de provocar raiva ou tristeza também podem gerar visualizações, comentários e compartilhamentos.
Essas interações podem confundir os sistemas de recomendação, que precisam diferenciar interesse genuíno de reação emocional. O desafio agora é determinar quanto as preferências declaradas pelos usuários conseguirão influenciar os algoritmos diante dos sinais registrados durante a navegação.











