Após passar 93 dias no Big Brother britânico, Rebe Shelton voltou ao Brasil para ficar perto da família. Diante das dificuldades para encontrar oportunidades profissionais no país, porém, decidiu retornar à Inglaterra, onde vive e trabalha atualmente.
Em entrevista sobre sua trajetória, Rebe falou sobre a participação no reality show, a relação com a televisão brasileira, os desafios enfrentados ao longo da vida e as mudanças que a ajudaram a valorizar as coisas simples do cotidiano.
Atualmente, ela mora em uma cidade litorânea no sul da Inglaterra, perto de Southampton. Rebe é servidora pública e trabalha na área administrativa do Tribunal de sua cidade. Ela também já atuou durante um ano como agente penitenciária em um presídio inglês.
Apesar de afirmar que ama a Inglaterra e ser grata pela vida que construiu no país, Rebe diz sentir saudade do Brasil. “Nasci brasileira e meu coração continua sendo brasileiro”, afirmou.
Ao relembrar um episódio ocorrido no programa Superpop, apresentado por Luciana Gimenez, Rebe disse não guardar mágoas da apresentadora. Segundo ela, a situação aconteceu em uma fase difícil, depois de retornar ao Brasil e se frustrar com os rumos da própria vida. Ao ser questionada por Luciana sobre não estar trabalhando, acabou reagindo de forma explosiva.
Rebe afirmou que hoje teria agido de outra maneira e contou que, posteriormente, entrou em contato para pedir desculpas. Ela também destacou a gratidão pela oportunidade de fazer uma reportagem para o programa, em São Paulo, algo que considerou a realização de um sonho de infância.
Desde criança, Rebe dizia imaginar objetos como microfones e entrevistar pessoas na rua. Por isso, afirmou ter ficado emocionada ao participar da reportagem. Segundo ela, Luciana sempre a tratou com carinho e educação.
Sobre a televisão brasileira, Rebe avaliou que a internet ampliou as possibilidades de produção de conteúdo. Para ela, atualmente qualquer pessoa pode gravar vídeos com o celular e conquistar o próprio público, o que abre espaço para mais oportunidades.
Se pudesse mudar algo na televisão, Rebe disse que gostaria de ver mais entretenimento e programas diferentes, pois considera que muitas atrações acabam ficando parecidas. Ela lembrou que cresceu assistindo a Silvio Santos, seu ídolo, e que associava a televisão à diversão e à possibilidade de esquecer os problemas.
Rebe também afirmou sentir falta da proximidade que Silvio Santos e Hebe Camargo mantinham com o público. Disse ter ficado muito triste com a morte de Silvio, mas contente ao ver Patrícia Abravanel dando continuidade ao trabalho dele.
Na avaliação de Rebe, a televisão enfrenta dificuldades de audiência e faturamento porque os hábitos do público mudaram. Com o celular, as pessoas passaram a acessar notícias e vídeos a qualquer momento, sem depender do horário de um programa. Além disso, o crescimento dos produtores independentes e dos influenciadores aumentou a concorrência pela atenção do público.
Para ela, as emissoras precisam continuar se adaptando à nova realidade e buscar formas de manter o interesse dos espectadores, que hoje têm muito mais opções de conteúdo.
Rebe afirmou que, no passado, seu objetivo era conquistar cada vez mais coisas. Depois das experiências que viveu, passou a valorizar mais o que já tem. Entre suas prioridades estão continuar trabalhando, manter a independência, aprender com os próprios erros e se tornar uma pessoa melhor.
Ela também disse estar aprendendo a ser menos dura consigo mesma. Hoje, considera suficiente chegar em casa depois do trabalho, ficar no sofá com suas duas gatas, comer uma pizza e assistir a um filme. Seu objetivo, segundo contou, é seguir em frente, ter paz consigo mesma e aproveitar mais a vida.
Sobre a transição, Rebe afirmou que passou a se conhecer melhor e a se sentir mais confortável consigo mesma. Ela ressaltou, porém, que o processo não resolve todos os problemas e que ser uma pessoa trans envolve lidar com questões pessoais e também com as reações da família e da sociedade.
Rebe contou que, antes, ficava muito chateada quando não era aceita e queria que as pessoas compreendessem quem ela era. Hoje, diz pensar de outra forma: cada pessoa tem o direito de pensar como quiser, enquanto ela também tem o direito de viver a própria vida.
“Não preciso da aprovação de todo mundo. Quero apenas ser respeitada, como qualquer outra pessoa, e viver em paz comigo mesma”, afirmou. Para Rebe, essa foi a principal mudança: preocupar-se mais em estar bem consigo mesma do que em provar algo aos outros.











