O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “um ato vergonhoso” a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira (27), dois dias após o senador perder a eleição presidencial para Lula.
Para o presidente reeleito, o adversário está em débito com a Justiça. “O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, afirmou.
Lula também disse que Flávio deveria ter entregue o passaporte e que a Polícia Federal já deveria suspeitar de sua saída, uma vez que o senador é alvo de investigação. “Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte. A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito”, acrescentou.
As declarações foram dadas durante um encontro de Lula com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, onde ele recebeu homenagens pelo aniversário de 81 anos, cortou um bolo e discursou.
Na ocasião, o presidente relembrou sua prisão, em abril de 2018, quando entregou o passaporte e se apresentou à Polícia Federal. “Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, disse. Lula permaneceu preso por 580 dias e foi libertado em 8 de novembro de 2019.
“E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme”, afirmou.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou os processos conduzidos pelo ex-juiz Sergio Moro e reconheceu a parcialidade dele no inquérito envolvendo Lula. Atualmente, Moro é governador eleito pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro e do qual é aliado.
Segundo uma publicação do investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A possível fuga, ocorrida menos de 48 horas após a derrota nas eleições presidenciais, também foi confirmada pela agência Reuters.
Flávio não entregou os passaportes à Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets. Flávio também é alvo de outro inquérito, que apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai.











