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Mães cobram respostas e justiça por 122 mortes na Operação Contenção
Foto original adaptada visualmente por IA.
Turismo

Mães cobram respostas e justiça por 122 mortes na Operação Contenção

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Familiares das vítimas da Operação Contenção cobraram justiça e respostas sobre as mortes ocorridas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A manifestação foi realizada nesta quarta-feira (28), na Vila Cruzeiro, na Penha, um ano após a operação policial que deixou 122 mortos em outubro de 2025.

Segundo o conteúdo divulgado sobre o ato, a incursão foi a mais letal do estado do Rio de Janeiro em 40 anos. Mãe de Wellington Brito, de 20 anos, a confeiteira Tauã Brito foi uma das primeiras familiares a denunciar as mortes e a defender que pessoas envolvidas com o crime tivessem a possibilidade de se entregar à Justiça, em vez de serem executadas.

Tauã contou que tentou negociar a rendição do filho e pediu autorização para entrar na área de mata onde ocorreram as execuções, mas não foi autorizada. Durante a madrugada, voltou ao local e encontrou o corpo de Wellington com a ajuda da luz do celular.

Em discurso em nome das famílias, Tauã cobrou o resultado das investigações e criticou a naturalização da violência. Para ela, o direito à vida não pode ser definido pelo endereço de uma pessoa. “Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder”, afirmou.

A confeiteira também declarou que “a polícia mata por causa do CEP” e defendeu que qualquer pessoa acusada de um crime responda perante a lei. “Responder perante a lei é diferente de ser executado”, disse.

Tauã citou ainda uma apreensão de armas realizada em maio de 2025 em um condomínio da Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio. Na ocasião, sete pessoas foram presas com 240 armas e milhares de munições que seriam destinadas ao tráfico de drogas. Ninguém morreu ou ficou ferido na ação. “Segurança de verdade é proteger a vida. E é isso que estamos pedindo hoje”, afirmou.

As mães também criticaram o uso político das mortes da Operação Contenção e disseram que, um ano depois da tragédia, não tiveram acesso aos laudos periciais nem aos depoimentos prestados aos investigadores.

No mesmo dia, a Human Rights Watch divulgou uma nota na qual apontou evidências graves de desvios de conduta policial durante a operação. A organização mencionou possível manipulação de câmeras corporais e indicou a possibilidade de mortes intencionais. Segundo a entidade, 40% dos mortos foram atingidos na cabeça, 60% receberam quatro ou mais disparos e 75% também foram baleados nas costas. A organização afirmou ainda que nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras dos agentes.

Tauã questionou a atuação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) na investigação, alegando que o órgão teria participado da autorização e do planejamento da operação. O MPRJ acompanhou as necropsias realizadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) e ainda analisa laudos periciais e imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais.

Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, também cobrou respostas. “Nosso coração está despedaçado por falta de respostas. A Justiça está para prender e não matar”, declarou. Ela disse que pretende continuar buscando justiça pelo filho.

Ana Paula Muniz, mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, rejeitou a execução como resposta à criminalidade. Ela contou que enterrou o filho um dia antes do aniversário dele e afirmou aguardar um laudo que esclareça as circunstâncias da morte.

Jovens ativistas que participaram do ato pediram que a presença do poder público nas favelas não se limite às operações policiais. Eles defenderam o fortalecimento de serviços públicos e projetos sociais. Natan da Silva afirmou que há sonhos, vida e esperança na comunidade e cobrou uma mudança na postura da polícia em relação à juventude negra da periferia.

A manifestação teve apresentações de crianças e jovens, roda de capoeira e poesia. Lideranças também falaram sobre o assédio do crime aos mais novos e reivindicaram mais ações voltadas à juventude.

Moradora da Penha, Jéssica Soares de Oliveira afirmou que a operação deixou famílias enlutadas, crianças traumatizadas e moradores impactados pelas cenas. Ela disse ter participado do ato em solidariedade às vítimas e relatou viver com medo, apesar de orientar o filho de dez anos sobre os caminhos que deve seguir.

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