O professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) denunciado por agredir uma adolescente de 16 anos durante uma discussão em um condomínio no bairro Granja Marileusa apresentou sua versão sobre o caso. Em entrevista por telefone à TV Paranaíba, o docente afirmou que também foi agredido durante a confusão e reconheceu ter empurrado a jovem, que caiu no chão.
“Eu fui agredido, tomei um murro na boca e no nariz. Eu já vi na filmagem, inclusive, que isso aconteceu. E quando eu fui atrás da pessoa que me desferiu o golpe, eu acabei empurrando a moça que estava na minha frente e ela caiu ao chão”, declarou.
O professor também questionou a condução da ocorrência policial. Segundo ele, não teve a oportunidade de apresentar sua versão na delegacia. “Ninguém me perguntou a versão dos fatos, eu simplesmente fui conduzido à delegacia e achava que lá na delegacia eu ia dar a minha versão dos fatos”, disse.
O docente relatou ainda que foi questionado pelos policiais sobre o consumo de bebidas alcoólicas e confirmou que havia ingerido bebida durante uma festa.
A mãe da adolescente afirmou à TV Paranaíba que a filha está abalada após o episódio. Segundo ela, a jovem teve dificuldades para relatar o que havia acontecido. “Ela não conseguia nem olhar para mim. Quando me viu, veio toda a emoção do acontecido, chorou muito e ficou muito transtornada com a situação”, contou.
A mulher disse também que a filha demonstra medo ao ver imagens do professor. “Hoje, mostrando a foto dele no telefone, ela disse: ‘Eu não consigo nem ver a cara dele, eu entro em pânico, eu paraliso’”, relatou.
O advogado Murilo Ferreira, que representa a adolescente, afirmou que o caso será levado às esferas criminal, administrativa e civil. Na área criminal, a defesa pretende apresentar uma representação, por meio da responsável legal da jovem, para solicitar uma investigação mais aprofundada sobre as circunstâncias da ocorrência.
Como o denunciado é servidor público da UFU, o advogado informou que também será apresentada uma representação à universidade, com pedido de abertura de processo administrativo disciplinar e avaliação das medidas cabíveis, incluindo a possibilidade de exoneração. A defesa ainda pretende buscar reparação por danos morais. “Temos a questão indenizatória pela responsabilidade civil, pelos danos morais causados e pelo impacto que isso traz para uma adolescente”, afirmou Ferreira.
Segundo o boletim de ocorrência, o caso foi registrado na madrugada de segunda-feira (2), em um condomínio residencial do bairro Granja Marileusa. A adolescente estava na casa de amigos e deixou o celular carregando próximo à área de brinquedos. Cerca de 15 minutos depois, voltou para buscar o aparelho, mas não o encontrou.
Conforme o relato da jovem à polícia, a esposa do professor teria recolhido o telefone por acreditar que ele pertencesse a alguém de um evento do qual participava. Durante a tentativa de recuperar o aparelho, começou uma discussão.
Ainda de acordo com o depoimento, o professor teria se envolvido no desentendimento e, após uma confusão com outros jovens, seguido a adolescente até a portaria, onde teria dado um tapa no rosto dela. A jovem caiu e precisou de atendimento médico.
O boletim de ocorrência descreve um corte no lábio superior, vermelhidão próxima ao nariz e queixas de dores na cabeça e na região lombar. A adolescente foi atendida na Unidade de Atendimento Integrado (UAI) Tibery.











