No dia 14 de maio de 2006, Débora Maria da Silva celebrava o Dia das Mães com seus três filhos na Baixada Santista. Quatro dias após seu aniversário, sua vida mudou drasticamente com o assassinato de seu primogênito, Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, durante os Crimes de Maio, que resultaram na morte de mais de 500 pessoas em São Paulo.
Os ataques, coordenados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e a reação de policiais e grupos de extermínio, marcaram um dos períodos mais violentos da história recente do estado. Edson foi uma das muitas vítimas, e sua morte deixou uma marca indelével na vida de Débora, que não consegue mais comemorar datas significativas.
Memórias e Luta por Justiça
Débora relembra o último momento que passou com seu filho, antes de sua morte trágica. Ele foi abordado por policiais após parar para abastecer a moto. “Mataram meu filho encostado num muro”, relata, enfatizando a dor que sente até hoje. “Esses cinco tiros que eles deram no meu filho eu senti todos.”
Com o passar dos anos, Débora se tornou uma das fundadoras do movimento Mães de Maio, que busca justiça para as vítimas da violência estatal. O grupo se tornou uma referência na luta contra a impunidade e pela memória das vítimas, incluindo a busca por responsabilização dos agentes envolvidos nas mortes.
Recentemente, o movimento se uniu à organização Conectas Direitos Humanos para enviar um apelo à ONU, denunciando a falta de responsabilização por parte do Estado brasileiro em relação aos Crimes de Maio. “Nenhuma dessas execuções foi devidamente esclarecida”, afirmam as entidades no documento.
Débora acredita que a morte de seu filho foi resultado de uma violência promovida pelo Estado. “Nossos filhos pagaram por uma guerra que não era deles”, diz, ressaltando que a impunidade é uma forma de violência que continua a afetar famílias em todo o Brasil.
Vinte anos após os eventos trágicos, Débora e outras mães continuam a lutar por um país mais justo e menos violento. “Nós queremos continuar vivas para poder parir um novo Brasil”, afirma, destacando a importância de não esquecer as histórias das vítimas e de lutar contra a naturalização da violência policial.
A história de Débora será relembrada em um episódio do programa Caminhos da Reportagem, que irá ao ar nesta segunda-feira (11), às 23h, na TV Brasil, trazendo à tona as memórias e a luta por justiça das mães que perderam seus filhos durante os Crimes de Maio.











