Na Coreia do Sul, a inovação em inteligência artificial (IA) está se destacando com um projeto inusitado: trabalhadores de hotéis estão sendo filmados enquanto realizam suas atividades diárias para treinar robôs humanoides. Essa iniciativa visa ensinar máquinas a executar tarefas como dobrar guardanapos e organizar mesas com precisão.
A empresa responsável pelo projeto, RLWRLD, utiliza câmeras acopladas aos funcionários para capturar detalhes minuciosos dos movimentos, como a posição dos dedos e a força aplicada. Essas informações são essenciais para o desenvolvimento de sistemas de “IA física”, que buscam replicar ações humanas em ambientes reais.
O papel da hotelaria no treinamento de robôs
Os dados coletados são utilizados em ambientes simulados de hotel, onde robôs tentam reproduzir tarefas complexas. O objetivo é que as mãos robóticas atinjam um nível de precisão semelhante ao dos humanos. No entanto, os desenvolvedores reconhecem que ainda há desafios a serem superados, como a velocidade de execução das tarefas.
Por exemplo, enquanto um trabalhador pode limpar um quarto em cerca de 40 minutos, os robôs ainda levam várias horas para completar a mesma tarefa. A hotelaria é considerada um campo ideal para esse tipo de treinamento, pois exige movimentos delicados e alta precisão.
Além dos hotéis, a RLWRLD também está coletando dados em centros logísticos e lojas, onde os movimentos dos trabalhadores são monitorados durante a organização de produtos. Essa abordagem visa expandir as aplicações da IA física em diversos setores, incluindo fábricas e residências.
A Coreia do Sul está investindo pesado na robótica, com um projeto governamental de US$ 33 milhões para registrar conhecimentos técnicos de trabalhadores experientes. Isso demonstra a intenção do país de se tornar um líder global no setor, competindo com potências como os Estados Unidos e a China.
Grandes empresas sul-coreanas, como Hyundai e Samsung, também estão acelerando seus investimentos em robótica. A Hyundai planeja implementar robôs humanoides em suas fábricas até 2028, enquanto a Samsung projeta transformar suas operações em fábricas totalmente orientadas por IA até 2030.
Embora haja preocupações sobre o impacto da automação no emprego, muitos trabalhadores veem a tecnologia como uma ferramenta complementar. Acredita-se que os robôs podem assumir uma parte significativa das tarefas, mas a interação humana continuará sendo insubstituível em muitas funções.











