Pesquisadores da Hong Kong Baptist University alertaram que a alfabetização em inteligência artificial (IA) pode criar uma nova desigualdade digital. O estudo, publicado em abril de 2026 na revista Information, Communication & Society, analisou dados do Pew Research Center com mais de 10 mil adultos nos Estados Unidos, revelando como diferentes grupos compreendem e interagem com tecnologias baseadas em IA.
Os resultados indicam que indivíduos com maior renda e nível educacional têm mais facilidade em lidar com sistemas de IA, como chatbots e recomendações automatizadas. Essa disparidade pode acentuar desigualdades sociais, educacionais e profissionais nos próximos anos, uma vez que a capacidade de entender essas tecnologias se torna cada vez mais crucial.
Diferenças no uso cotidiano
A pesquisa destacou que pessoas com maior nível educacional identificaram mais facilmente recursos de IA em situações cotidianas, como filtros de spam e assistentes virtuais. Em contrapartida, aqueles com menor renda e escolaridade mostraram menos familiaridade com essas aplicações, o que pode limitar suas oportunidades e acesso a informações relevantes.
Além disso, a falta de letramento em IA pode dificultar a proteção contra desinformação, como vídeos gerados por deepfakes. A capacidade de discernir informações confiáveis se torna essencial em um mundo onde a tecnologia influencia cada vez mais a forma como consumimos conteúdo.
Os autores do estudo alertam que a rápida expansão da IA em áreas como educação e comunicação pode intensificar as desigualdades existentes. Sem políticas de inclusão digital adequadas, a distância entre os que compreendem e os que não compreendem a tecnologia pode aumentar significativamente.
A importância da educação digital
Para mitigar essa nova forma de desigualdade, os pesquisadores defendem que governos, escolas e empresas invistam em programas de educação tecnológica. A ideia é capacitar a população para lidar com sistemas automatizados que já fazem parte do cotidiano em plataformas digitais.
Desenvolver habilidades relacionadas à IA deve ser uma prioridade, assim como a alfabetização digital foi nas últimas décadas. Sem esse preparo, uma parte significativa da população pode ficar em desvantagem em um cenário cada vez mais dependente de tecnologias automatizadas.
Embora os resultados do estudo sejam um forte indicativo de uma nova tendência digital, é importante ressaltar que as informações foram coletadas em dezembro de 2022, antes do avanço acelerado das inteligências artificiais na vida cotidiana. A discussão sobre a alfabetização em IA é, portanto, mais relevante do que nunca.











