Um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado (16), marcou os 20 anos dos Crimes de Maio, uma série de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) que resultaram em mais de 500 mortes. A manifestação, promovida pelo Movimento Mães de Maio e pelo Cordão da Mentira, destacou a impunidade em relação a esses crimes, muitos dos quais envolvem indícios de execução por parte da polícia.
Com batuques e músicas, o evento reuniu diversas vozes em um grito coletivo contra o esquecimento e a injustiça. O Cordão da Mentira, que tradicionalmente se manifesta no Dia da Mentira, decidiu sair às ruas novamente para lembrar a tragédia que ainda impacta a sociedade.
Unificação de Lutas
Este ano, o ato também unificou a luta das Mães de Maio com a causa palestina, que celebra 78 anos da Nakba, o deslocamento forçado de palestinos durante a criação do Estado de Israel. Thiago Mendonça, um dos coordenadores do Cordão, ressaltou que a repressão em Israel reflete a violência policial no Brasil.
Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio, enfatizou a importância do Cordão na luta por justiça. “O Cordão é a alma do Movimento Mães de Maio. Ele nos dá combustível para seguir a luta o ano inteiro”, afirmou, lembrando que seu filho foi uma das vítimas da violência de Estado durante os Crimes de Maio.
O relatório do Laboratório de Análises da Violência da UFRJ aponta que 505 das vítimas eram civis, muitos deles jovens e negros. A participação de policiais em 122 dessas execuções é uma das questões que ainda permanecem sem resposta.
O ato teve início no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu até o Al Janiah, um centro cultural palestino no Bixiga. A caminhada simbolizou a luta contínua por justiça e pela memória das vítimas da violência de Estado.











