O mercado de trigo enfrenta um cenário desafiador após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetar a menor safra de trigo norte-americana desde 1972. Essa previsão acendeu um alerta sobre o abastecimento global do cereal, impactando diretamente as cotações nas bolsas internacionais e a economia agrícola.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os contratos futuros de trigo nas bolsas de Chicago e Kansas registraram as maiores altas percentuais desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022. A produção estimada para a safra 2026/27 foi reduzida para 1,561 bilhão de bushels, bem abaixo da expectativa do mercado, que era de 1,731 bilhão de bushels.
Impactos da seca nas lavouras norte-americanas
A seca severa nas Planícies norte-americanas tem afetado a produtividade das lavouras. Atualmente, apenas 28% das plantações de trigo são classificadas como boas ou excelentes, enquanto 40% estão em condições ruins. No Kansas, o maior estado produtor, a produtividade caiu drasticamente, o que eleva a preocupação com a oferta global do cereal.
No Brasil, a situação também é preocupante. A pesquisa de intenção de plantio aponta uma redução de 17,3% na área cultivada com trigo na safra 2026/27. A produção nacional deve cair para 6,155 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 23,3% em relação ao ciclo anterior. Essa retração pode aumentar a dependência brasileira de importações.
Com a diminuição da oferta interna, o Brasil deverá importar cerca de 8,695 milhões de toneladas de trigo para atender à demanda, especialmente da indústria moageira. O analista Elcio Bento destaca que os altos custos de produção e o endividamento dos produtores limitam os investimentos na cultura do trigo no país.
Apesar do cenário internacional favorável, o mercado físico brasileiro continua com baixa liquidez. No Paraná, os preços do trigo se mantiveram em torno de R$ 1.430 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul, a diferença entre compradores e vendedores restringiu os negócios, com ofertas acima de R$ 1.350 FOB interior.
A valorização do trigo argentino e a cotação do dólar próximo a R$ 4,98 também influenciam o mercado doméstico. A expectativa é que o abastecimento permaneça ajustado nos próximos meses, aumentando a dependência do Brasil das importações do Mercosul, especialmente diante das incertezas climáticas no Hemisfério Norte.











