Cabo Verde vai às urnas neste domingo, 17 de maio de 2026, para eleger seu Parlamento e o novo primeiro-ministro. Com mais de 400 mil eleitores registrados, este pleito é considerado decisivo, especialmente em um ano que marca os 35 anos da transição democrática e os 50 anos de independência do país.
Na disputa, cinco partidos estão concorrendo, com o Movimento para a Democracia (MpD) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) se destacando nas pesquisas. Apesar da vantagem do MpD, a alta taxa de indecisos e a possibilidade de abstenção podem influenciar o resultado final, gerando preocupação entre analistas políticos locais.
Tensões e Acusações na Campanha
A campanha eleitoral foi marcada por tensões entre os partidos. O PAICV acusou o MpD de utilizar recursos estatais para favorecer sua candidatura, enquanto o MpD criticou Francisco Carvalho, do PAICV, por não renunciar ao cargo de prefeito, o que contraria o código eleitoral do país.
Os programas dos dois principais partidos são diametralmente opostos. O MpD, com a campanha “Cabo Verde em Frente”, destaca o crescimento econômico de 7,2% em 2025 e a recuperação do turismo, que é vital para a economia local. O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, enfatizou a necessidade de continuidade para garantir o progresso do país.
Por outro lado, o PAICV, que se apresenta com o slogan “Cabo Verde para Todos”, foca em questões sociais, como acesso à saúde e educação superior gratuita. Francisco Carvalho prometeu melhorias nas conexões de transporte e redução de passagens, enfatizando a urgência de atender às necessidades da população.
O clima pré-eleitoral, apesar das trocas de acusações, foi relativamente pacífico. Para garantir a transparência do processo, a União Africana e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) enviaram cerca de 160 observadores internacionais para monitorar as eleições em todas as ilhas do arquipélago.
A votação será especialmente observada na ilha de Santiago, que elege 33 dos 72 parlamentares. Os eleitores no exterior, que representam 17% do total, poderão escolher apenas seis deputados, o que levanta questões sobre a representação da diáspora cabo-verdiana nas decisões políticas do país.











