O clima irregular preocupa o agronegócio brasileiro e eleva os riscos para a segunda safra de milho, conforme aponta o relatório Agro Mensal de maio, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A análise destaca que a irregularidade das chuvas no Brasil, especialmente em regiões como Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, pode impactar negativamente a produtividade da safrinha.
Em abril, as precipitações ficaram abaixo da média, o que favoreceu a colheita da soja e do milho verão, mas aumentou as preocupações com o desenvolvimento da safrinha. O Centro-Oeste, em particular, entrou em maio com atenção redobrada devido à combinação de chuvas escassas e temperaturas normais, o que pode resultar em perdas produtivas significativas.
Estresse hídrico e suas consequências
O relatório aponta que o estresse hídrico é uma ameaça real para a produtividade do milho na segunda safra, principalmente em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Embora Mato Grosso, o maior produtor do país, ainda tenha condições relativamente favoráveis, as demais regiões centrais enfrentam um cenário preocupante que pode limitar o enchimento de grãos.
Como resultado, o Itaú BBA revisou sua projeção para a safrinha 2025/26, agora estimando uma produção de 110 milhões de toneladas. Essa revisão reflete os impactos do estresse hídrico observado no final de abril e início de maio, o que pode afetar diretamente a renda dos produtores e a oferta no mercado.
Possibilidade de El Niño e seus efeitos
Outro ponto importante destacado no relatório é a possibilidade de formação do fenômeno El Niño, que pode ter impactos significativos nas safras brasileiras. Com uma chance de 61% de transição para El Niño entre maio e julho, o fenômeno pode alterar o padrão de chuvas, favorecendo a Região Sul e reduzindo precipitações no Norte e Nordeste.
Além do milho, o El Niño pode afetar culturas como trigo e café, aumentando os riscos de umidade excessiva na colheita e desafios relacionados à qualidade dos produtos. Para os produtores, isso significa que devem estar preparados para um cenário de incertezas climáticas e suas consequências.
Enquanto o Brasil enfrenta essas dificuldades, os Estados Unidos avançam com um plantio acelerado, especialmente de soja, que já alcançou 33% da área prevista. Esse contraste entre os dois países destaca a importância de monitorar as condições climáticas, que continuam a ser um dos principais fatores que influenciam o agronegócio e os preços no mercado.











