O fenômeno climático El Niño, previsto para retornar em 2026, já gera preocupações entre os produtores de culturas de inverno no Sul do Brasil. Com uma probabilidade de até 87% de formação no segundo semestre, o evento pode aumentar as chuvas em períodos críticos, impactando diretamente lavouras de trigo, cevada, aveia e canola.
Um levantamento da MOTOMCO indica que o excesso de umidade já está afetando as projeções para a próxima safra de trigo no Rio Grande do Sul. A análise, baseada em mais de 8 mil cargas monitoradas, revela que o teor médio de umidade dos grãos deve subir de 16,7% para 17,5%, um aumento de 4,8% em relação ao ciclo anterior.
Impactos na Produtividade e Qualidade dos Grãos
Além do aumento da umidade, a área plantada de trigo em uma cooperativa gaúcha deve sofrer uma retração de 17%, reflexo das adversidades climáticas. A produtividade também está em queda, com uma projeção atual de 2.742 kg por hectare, abaixo dos 3.230 kg/ha do ciclo anterior.
Roney Smolareck, engenheiro agrônomo da MOTOMCO, destaca que o principal desafio em anos de El Niño é a imprevisibilidade operacional. “O produtor precisa lidar com decisões rápidas, o que pode resultar em perdas de qualidade e valor”, afirma.
O excesso de chuvas favorece o surgimento de doenças fúngicas e pode comprometer a qualidade dos grãos, aumentando a incidência de grãos ardidos e manchados. Em situações extremas, pode ocorrer germinação ainda na espiga ou na panícula, afetando ainda mais a colheita.
Desafios na Colheita e Armazenagem
As dificuldades não param nas lavouras. O solo excessivamente úmido reduz a janela operacional para a colheita, forçando muitos produtores a anteciparem a colheita com umidade acima do ideal. Isso pode resultar em perdas financeiras significativas.
Além disso, a armazenagem dos grãos também exige atenção. Uma pequena variação na umidade em um silo pode gerar perdas equivalentes a todo o volume armazenado. Com o preço médio da saca de trigo em torno de R$ 75,84, o prejuízo potencial pode alcançar R$ 265 mil em um único silo.
Para Smolareck, a precisão na medição da umidade é crucial em anos de instabilidade climática. “A diferença entre lucro e prejuízo começa na precisão da medição da umidade”, conclui o especialista, ressaltando a importância de informações precisas para os produtores.











