O mercado de farelo e óleo de soja se destaca em meio a uma demanda aquecida, impulsionada pelo aumento do consumo de biocombustíveis e pela valorização do petróleo. Esse cenário positivo é evidenciado no relatório Agro Mensal de maio, da Consultoria Agro do Itaú BBA, que analisa o desempenho dos derivados da soja e os desafios que podem surgir no segundo semestre.
O óleo de soja teve um papel crucial na sustentação do complexo soja na Bolsa de Chicago. Em abril, o preço médio do óleo subiu 6% em relação a março, alcançando 69,7 centavos de dólar por libra-peso. Essa valorização é atribuída à forte demanda do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos, que elevou a competitividade do óleo de soja em relação a outros óleos vegetais.
Impacto no mercado brasileiro
No Brasil, o óleo de soja acompanhou a tendência internacional, registrando alta de 4% em abril no Mato Grosso, com preços chegando a R$ 6.066 por tonelada. Mesmo com a valorização do real frente ao dólar, a demanda interna ajudou a manter os preços em patamares elevados, beneficiando os produtores locais.
O farelo de soja também apresenta um desempenho positivo, acumulando a terceira alta mensal consecutiva. Em Chicago, o farelo fechou abril com média de US$ 325 por tonelada, um aumento de 2,4% em relação ao mês anterior. A demanda firme, especialmente nos Estados Unidos, contribui para essa valorização, com o USDA revisando para cima o consumo americano para a safra 2025/26.
No Brasil, o farelo de soja também viu seus preços subirem, com Rondonópolis (MT) registrando um aumento de 6% em abril, alcançando R$ 1.585 por tonelada. Esse aumento é um reflexo da valorização externa e da forte demanda, que continua a sustentar o mercado.
Desafios à vista
Apesar do cenário otimista, o Itaú BBA alerta para possíveis pressões sobre os preços nas próximas semanas. O avanço da colheita na Argentina pode aumentar a oferta global de derivados, o que tende a enfraquecer os prêmios de exportação e aumentar a concorrência do produto brasileiro no mercado internacional.
Além disso, o relatório aponta que o mercado já precifica uma oferta confortável para os próximos meses, o que pode impactar a formação de preços. Fatores como o comportamento do câmbio, a política de biocombustíveis nos EUA e as condições climáticas na América do Sul continuam a ser decisivos para o futuro do complexo soja.
Com a expectativa de uma safra robusta em 2026/27, a produção global de soja e derivados deve se manter elevada, garantindo um balanço confortável entre oferta e demanda. Essa situação pode beneficiar tanto os produtores quanto os consumidores, mas requer atenção constante às variáveis que influenciam o mercado.











