O agronegócio brasileiro continua a crescer, mas a queda no número de auditores fiscais agropecuários pode comprometer essa trajetória. Dados do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) mostram que, em 25 anos, o efetivo de auditores caiu quase 40%, passando de 4.040 em 2000 para apenas 2.461 em 2026. Essa diminuição ocorre em um momento em que a produção agropecuária e as exportações brasileiras estão em expansão.
A fiscalização agropecuária é crucial para garantir a segurança sanitária dos produtos e a credibilidade do Brasil no comércio internacional. Os auditores atuam em diversas frentes, como a inspeção de produtos de origem animal e vegetal, fiscalização em frigoríficos e controle de pragas. Com a redução do número de profissionais, a pressão sobre as equipes de fiscalização tem aumentado, o que pode afetar a qualidade e a segurança dos produtos brasileiros.
Desafios da Fiscalização no Crescimento do Setor
O contraste entre o crescimento da produção e a diminuição da estrutura de fiscalização é alarmante. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a produção de grãos no Brasil saltou de cerca de 100 milhões de toneladas no início dos anos 2000 para mais de 320 milhões na safra 2024/2025. Apesar disso, a quantidade de auditores não acompanhou esse crescimento, o que gera preocupações sobre a capacidade de fiscalização.
Com menos auditores disponíveis, as equipes enfrentam uma sobrecarga significativa. Nos frigoríficos, por exemplo, os profissionais são responsáveis por acompanhar abates e inspeções sanitárias, enquanto nas lavouras atuam no controle fitossanitário. Essa situação pode resultar em falhas na fiscalização, colocando em risco a saúde pública e a reputação do agronegócio brasileiro.
Além disso, áreas estratégicas, como o combate ao contrabando de insumos e agrotóxicos ilegais, operam com equipes reduzidas. Essa situação é preocupante, pois produtos ilegais podem estar associados a práticas criminosas, aumentando a necessidade de uma fiscalização mais robusta e eficaz. A falta de profissionais qualificados pode comprometer a segurança alimentar e a competitividade do Brasil no mercado global.
Especialistas defendem que é fundamental investir na estrutura de fiscalização agropecuária para garantir a competitividade do Brasil no comércio internacional. A credibilidade sanitária do país é vista como um ativo estratégico, e fortalecer a fiscalização é essencial para preservar a confiança dos mercados. A ampliação do quadro de auditores e a melhoria das condições de trabalho são passos necessários para enfrentar os desafios do setor.











