Os preços do etanol hidratado e do anidro continuam em queda no mercado paulista, refletindo uma combinação de demanda enfraquecida e pressão nas usinas. Segundo dados do Cepea, essa é a oitava semana consecutiva de recuo para o etanol hidratado e a sétima para o anidro, o que preocupa os produtores e a cadeia produtiva do setor sucroenergético.
As usinas têm tentado manter preços mais firmes, mas a necessidade de comercialização imediata, devido a questões de fluxo de caixa e limitação de armazenagem, forçou uma redução nos preços do mercado spot. A cautela das distribuidoras, que diminuíram o ritmo de compras após aquisições anteriores, também contribui para essa pressão negativa.
Demanda e oferta em descompasso
O descompasso entre oferta e demanda é um dos principais fatores que afetam o mercado de etanol. Com as distribuidoras menos dispostas a aumentar estoques, as usinas precisam liberar espaço nos tanques, especialmente durante a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul. Essa situação tem mantido os preços do biocombustível em baixa, especialmente em São Paulo, que é o maior produtor do país.
Além disso, o comportamento do consumo de combustíveis nas próximas semanas será crucial para definir os preços. A concorrência entre o etanol hidratado e a gasolina nos postos pode influenciar a demanda e, consequentemente, as cotações do etanol.
Possíveis alívios com as chuvas
Apesar da tendência de queda, o Cepea aponta que fatores climáticos podem trazer um suporte temporário ao mercado. A previsão de chuvas no cinturão canavieiro paulista pode interromper parcialmente a moagem da cana, reduzindo a oferta de etanol e aliviando a pressão sobre a capacidade de armazenagem das usinas.
Com a produção diminuindo no curto prazo, as usinas podem evitar vendas mais agressivas, o que pode estabilizar os preços. Essa dinâmica é importante para os produtores, que enfrentam desafios financeiros em um cenário de preços em queda.
Outro aspecto a ser monitorado é a possibilidade de reajuste nos preços da gasolina pela Petrobras. Se houver mudanças, o etanol pode se tornar mais competitivo, favorecendo a demanda e ajudando a estabilizar as cotações do biocombustível. O setor sucroenergético permanece atento a esses fatores, que devem continuar influenciando o mercado nas próximas semanas.











