O mercado da soja recuou na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira, 20 de maio, refletindo a volatilidade internacional e a pressão logística que afeta a rentabilidade dos produtores brasileiros. Os contratos futuros apresentaram perdas, com o vencimento de julho/26 cotado a US$ 12,07 por bushel, uma queda de 2,25 centavos. Esse movimento é um ajuste técnico após uma recente alta, impulsionada por expectativas de compras chinesas.
As tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos, além das condições climáticas no Meio-Oeste americano, continuam a influenciar o comportamento das commodities agrícolas. Embora o plantio da nova safra nos EUA esteja avançando rapidamente, a falta de sinais concretos de demanda asiática mantém os investidores cautelosos.
Impacto no Mercado Interno
No Brasil, os preços da soja permanecem relativamente firmes em algumas regiões, mas os gargalos logísticos e os altos custos de armazenagem e frete limitam a rentabilidade dos produtores. No Paraná, por exemplo, a soja era cotada a R$ 123,67 por saca no interior, enquanto no porto de Paranaguá o preço subiu para R$ 130,57.
O aumento da produção de etanol de milho e o início do plantio de trigo intensificaram a disputa por armazenagem no estado, pressionando ainda mais a logística regional. No Rio Grande do Sul, a recuperação dos preços foi observada, com Santa Rosa e Passo Fundo cotados a R$ 126,00 por saca.
Apesar da expectativa de uma safra recorde, o Centro-Oeste enfrenta desafios significativos. Mato Grosso do Sul e Mato Grosso reportaram produções históricas, mas os produtores lidam com dificuldades relacionadas à capacidade de armazenagem e aos altos custos de frete. Esses fatores estão reduzindo as margens de lucro e limitando as oportunidades de comercialização.
Com a colheita brasileira de soja alcançando 98,8% da área cultivada, a situação logística se torna cada vez mais crítica. A possibilidade de paralisações no transporte rodoviário e as incertezas sobre o piso mínimo do frete elevam os prêmios de risco no setor, impactando diretamente a economia regional e a rentabilidade dos agricultores.











