A rastreabilidade se tornará o “novo passaporte” da proteína animal brasileira, conforme alerta a médica veterinária Paula Eloize. A recente decisão da União Europeia de endurecer as regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal acendeu um sinal de alerta no agronegócio nacional, destacando a importância da transparência na cadeia produtiva.
Com a mudança nas exigências globais, o controle sanitário e a comprovação de origem dos produtos se tornaram essenciais para acessar mercados internacionais. A especialista enfatiza que os consumidores não se contentam mais apenas com o produto final; eles querem saber como o alimento foi produzido e quais práticas foram adotadas ao longo do processo.
Pressão sobre a produção animal
A resistência antimicrobiana é uma preocupação crescente e considerada uma das maiores ameaças à saúde pública. O uso inadequado de antimicrobianos na pecuária está no centro das discussões sanitárias, levando países importadores a intensificarem os mecanismos de controle e fiscalização.
Paula Eloize destaca que o Brasil possui um sistema robusto de produção e fiscalização, mas a sensibilidade do mercado internacional a riscos sanitários exige uma transformação nas práticas de produção. Qualquer falha na rastreabilidade pode resultar em barreiras comerciais significativas.
Além disso, a pressão por sustentabilidade e bem-estar animal está moldando as novas exigências. O consumidor europeu, cada vez mais exigente, influencia diretamente as regras que os países exportadores devem seguir para garantir a competitividade no mercado global.
Impacto no mercado interno
As mudanças nas exigências internacionais também devem servir como um alerta para as empresas que atuam apenas no mercado doméstico. Muitas ainda veem a segurança dos alimentos como um aspecto distante de suas operações diárias, mas as tendências globais inevitavelmente chegarão ao Brasil.
Práticas como rastreabilidade estruturada e controle documental devem se tornar padrões mínimos no setor. A gestão sanitária e o controle de processos estão se tornando fundamentais para a competitividade da proteína animal brasileira.
Por fim, a recente revisão da União Europeia sobre as autorizações de exportação do Brasil pode impactar significativamente as exportações de produtos de origem animal. As empresas precisam se adaptar rapidamente às novas exigências para evitar prejuízos e garantir sua presença no mercado internacional.











