O preço do feijão disparou em Santa Catarina, refletindo a queda de oferta e a redução da produção nacional. A valorização se intensificou nos últimos meses, com o feijão-carioca acumulando alta superior a 50% em 2026, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina.
No mês de abril, o feijão-carioca registrou um aumento de 9,23% em relação a março, alcançando um preço médio de R$ 259,29 por saca de 60 quilos. O feijão-preto também apresentou valorização, com um avanço de 2,18%, atingindo R$ 159,43. Esse cenário é resultado da diminuição da área cultivada e de problemas climáticos que afetaram as principais regiões produtoras.
Impactos da redução da produção
A restrição de oferta continua a pressionar os preços para cima. No início de maio, o feijão-carioca atingiu média de R$ 268,77 por saca, um aumento de 3,6% em relação ao mês anterior. A produção no Paraná, maior produtor do país, caiu 44% na primeira safra, o que acentua a escassez no mercado.
As projeções para a safra 2025/26 indicam uma nova retração na produção brasileira de feijão, com a área cultivada prevista para cair para 2,6 milhões de hectares. A produtividade média também deve recuar, resultando em uma produção estimada de cerca de 2,9 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 5,2% em relação à safra anterior.
Em Santa Catarina, a colheita da primeira safra está quase concluída, mas a produção foi afetada por instabilidades climáticas, como geadas e chuvas irregulares. A área plantada caiu 24%, e a produtividade média teve uma redução de 3,7%, totalizando 52,5 mil toneladas. Para a segunda safra, a área cultivada diminuiu mais de 40%, mesmo com os preços em alta.
As incertezas climáticas aumentam as preocupações entre os produtores, especialmente em regiões como Chapecó e Xanxerê. O excesso de chuvas no final de abril pode atrasar a colheita e comprometer a qualidade do grão. Apesar disso, a oferta restrita deve continuar sustentando os preços no curto prazo.
Com a possibilidade de importações pontuais no horizonte, o setor agrícola deve se preparar para um cenário de abastecimento instável. Embora a produção nacional ainda garanta autossuficiência, quebras severas podem exigir a importação de feijão, especialmente do tipo preto, vindo da Argentina.











