O açúcar recuou nas bolsas internacionais, refletindo a pressão do dólar, a queda do petróleo e o avanço da safra no Brasil. Esse cenário de volatilidade impacta diretamente o agronegócio, afetando tanto os produtores quanto os consumidores. A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou perdas significativas, com o contrato de julho/26 fechando a 14,73 cents de dólar por libra-peso, uma queda de 1,9% no último pregão.
Além da valorização do dólar, que provocou liquidações em posições compradas, a queda do petróleo também contribuiu para o sentimento negativo no mercado. Com o combustível mais barato, a competitividade do etanol diminui, resultando em uma maior destinação da cana para a produção de açúcar. Essa mudança na cadeia produtiva aumenta a oferta global da commodity, pressionando ainda mais os preços.
Projeções de superávit e produção recorde
As atenções do setor estão voltadas para as projeções da Organização Internacional do Açúcar (OIA), que estima uma produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas na safra 2025/26. Essa expectativa de superávit global de 2,2 milhões de toneladas, juntamente com o aumento da produção na China, reforça a pressão sobre os preços do açúcar.
No Brasil, o avanço da moagem no Centro-Sul tem ampliado a oferta de açúcar, mas o direcionamento da cana para a produção de etanol ajuda a limitar uma queda ainda mais acentuada nos preços internos. O indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou uma nova retração, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 93,25, acumulando perdas de 4,76% em maio.
O mercado de etanol, por sua vez, permanece estável, mas com viés de baixa. Os preços do etanol anidro em Ribeirão Preto oscilaram entre R$ 2,74 e R$ 2,77 por litro, enquanto o hidratado seguiu uma tendência semelhante. O setor aguarda discussões sobre novas regras para formação de estoques e a possível ampliação da mistura de etanol na gasolina, o que pode impactar a oferta e a demanda.
Analistas apontam que a volatilidade deve continuar no curto prazo, com o mercado sensível às movimentações do dólar, do petróleo e das condições climáticas. A produção brasileira e as incertezas sobre a produção asiática serão determinantes para o comportamento das cotações internacionais do açúcar e do etanol. Apesar das projeções de superávit, o setor deve monitorar sinais de aperto na oferta global a partir de 2026/27, o que pode reverter a tendência de queda nos preços.











