A dependência de Portugal dos trabalhadores estrangeiros é um tema que ganha destaque em meio a um cenário de crescente xenofobia e novas legislações de imigração. Com cerca de 1,5 milhão de imigrantes, que representam 14% da população, o país europeu enfrenta um dilema: como equilibrar a necessidade de mão de obra com o aumento do ressentimento contra estrangeiros.
Recentemente, o partido de extrema-direita Chega tem promovido uma narrativa que culpa os imigrantes pela insegurança e pelos problemas sociais. No entanto, dados mostram que esses trabalhadores são essenciais para a economia portuguesa, contribuindo significativamente para a Previdência Social e ocupando funções que muitos portugueses não desejam assumir.
A importância dos imigrantes para a economia
Um estudo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) revelou que, em 2025, cerca de 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram com quase 4,2 bilhões de euros para a Previdência Social. Essa quantia representa 14% do total das contribuições, evidenciando a relevância dos imigrantes para o sistema financeiro do país.
O sociólogo Elísio Estanque destaca que Portugal, com uma das populações mais envelhecidas da União Europeia, depende dessas contribuições para sustentar aposentadorias e serviços de saúde. Sem os trabalhadores estrangeiros, setores como turismo e agricultura enfrentariam sérias dificuldades, podendo até fechar suas portas.
Verônica Santos, uma brasileira que se mudou para Portugal, exemplifica a realidade de muitos imigrantes que buscam melhores oportunidades. Ela e seu marido encontraram emprego rapidamente, ressaltando que a segurança e a qualidade de vida em Portugal superam os desafios enfrentados no Brasil.
Desafios e preconceitos
Apesar da contribuição vital dos imigrantes, o aumento da xenofobia e a falta de políticas de integração têm gerado tensões sociais. Estanque aponta que a recente afluência de trabalhadores estrangeiros ocorreu sem um planejamento adequado, resultando em um ambiente hostil para muitos.
O economista João Neves argumenta que Portugal precisa de uma política de imigração sustentável, lembrando que o país já foi um exportador de mão de obra. Ele alerta que limitar a permanência dos imigrantes pode aumentar sua vulnerabilidade e não resolve os problemas estruturais que o país enfrenta.
Em suma, a dependência de Portugal dos trabalhadores estrangeiros é um reflexo de uma realidade complexa. Enquanto o país se esforça para lidar com a crescente hostilidade, é crucial reconhecer a importância desses indivíduos para a economia e o bem-estar social, evitando que preconceitos comprometam o futuro do país.











