
A melhor notícia do PIB do segundo trimestre foi a alta da formação bruta de capital fixo, ou seja, do investimento. Foi o componente da demanda que mais contribuiu para essa expansão, com um forte aumento de 2,1% comparado ao trimestre anterior. E chega a 5,7% quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
O PIB de 1,4% em si superou até as projeções mais altas do mercado financeiro e do próprio governo. Além disso foi um avanço com qualidade, espalhado por vários setores da economia. No ano passado, o setor agropecuário puxou o bom desempenho. Este ano, a indústria, os serviços e o investimento cresceram. O resultado é espalhado pela economia.
Se o resultado tivesse sido impulsionado apenas pelo consumo das famílias ou do governo, haveria preocupação quanto à sustentabilidade desse crescimento. No entanto, quando o investimento se expande mais do que os outros componentes, isso é um sinal muito positivo.
A construção civil avançou 3,5%, explicando as altas vendas no setor de imóveis. A indústria de transformação também se expandiu, com um crescimento de 1,8% no trimestre, superando o crescimento do PIB, o que é raro. A construção civil, nesta comparação anual, cresceu 4,4%, e a indústria de transformação, 3,6%.
O que impressiona é que nesse segundo trimestre houve a tragédia do Rio Grande do Sul. O resultado é prova de que o governo agiu de forma rápida e eficaz diante da crise. Além de promover ações humanitárias, o governo também socorreu a economia do estado, agindo na hora certa e na medida correta.
Comparando o PIB do segundo trimestre com o do mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 3,3%. O avanço, portanto, está acelerando em relação ao último trimestre.
As importações aumentaram significativamente, pois quando o país se expande, há vários insumos que não consegue produzir internamente. As exportações também cresceram, mas a perspectiva deste ano é de que as importações tenham um desempenho superior, o que reduz o superávit comercial. Mesmo assim, o país caminha para registrar o segundo maior saldo da série histórica. No ano passado, o superávit foi de quase R$ 100 bilhões, e este ano deve chegar a R$ 80 bilhões.
Esses fatores explicam alguns resultados que estão se manifestando na atividade econômica. Por exemplo, a arrecadação do governo tem batido recordes, o uso da capacidade instalada está próximo do limite. O mercado de trabalho também está em boa situação, com o desemprego em 6,8% e os salários e a renda em alta.