O mercado de açúcar inicia a semana sob pressão, com quedas nas bolsas internacionais e um cenário de estabilidade no mercado físico brasileiro. As cotações do açúcar cristal em São Paulo resistem, mesmo diante das perdas registradas nas bolsas de Nova York e Londres, onde os contratos futuros enfrentaram desvalorizações.
Esse movimento ocorre em um momento de transição da safra no Centro-Sul do Brasil. Fatores como clima, ritmo da moagem e preços do petróleo estão influenciando diretamente a formação dos preços do açúcar e do etanol, refletindo a complexidade do setor sucroenergético.
Mercado paulista mantém estabilidade com negócios pontuais
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado físico paulista se mostra equilibrado, apesar da pressão externa. Os compradores estão atentos ao avanço da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, enquanto os vendedores mantêm firmeza nas negociações, limitando concessões nos preços.
As chuvas entre maio e junho impactaram temporariamente o ritmo das operações, mas também favoreceram o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da safra. Essa combinação de fatores ajuda a explicar a estabilidade observada nas negociações internas.
No mercado internacional, os contratos futuros do açúcar fecharam em baixa, com o contrato de outubro de 2026 cotado a 14,75 cents de dólar por libra-peso. A melhora nas perspectivas de produção mundial, especialmente na Índia, e a desvalorização do real frente ao dólar têm pressionado as cotações.
Embora o cenário seja desafiador, a recuperação dos preços do petróleo pode oferecer suporte ao mercado. A competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis pode levar as usinas a priorizarem a produção de biocombustíveis, reduzindo a oferta de açúcar para exportação.
O mercado interno também apresenta pequenas quedas, com o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo encerrando a R$ 90,72 por saca de 50 quilos, uma leve retração de 0,54%. O etanol hidratado segue a mesma tendência, com uma queda de 0,13% em Paulínia.
As perspectivas para o mercado de açúcar nas próximas semanas dependerão de uma combinação de fatores, como o avanço da colheita no Brasil, as condições climáticas em grandes produtores e a evolução dos preços internacionais do petróleo. A volatilidade pode retornar, especialmente com a influência do fenômeno El Niño nas regiões produtoras.











