O açúcar sobe nas bolsas internacionais, mas o mercado interno brasileiro continua pressionado pelo avanço da safra. Na terça-feira (19), as principais bolsas de Nova York e Londres registraram recuperação nos preços, trazendo um leve otimismo ao setor. No entanto, essa alta não foi suficiente para reverter a pressão sobre os preços no Brasil, onde a oferta elevada e a baixa liquidez ainda dominam o cenário.
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em alta, com o contrato para julho de 2026 avançando 0,28 centavo de dólar, cotado a 15,01 cents por libra-peso. Essa movimentação é vista como uma reação técnica, impulsionada pelo monitoramento das condições climáticas no Brasil e pela expectativa em relação à produção nas próximas semanas.
Açúcar branco também apresenta alta em Londres
Em Londres, os contratos do açúcar branco seguiram a tendência de alta observada em Nova York. O vencimento para agosto de 2026 teve um aumento de US$ 4,50, sendo negociado a US$ 441,00 por tonelada. Apesar da recuperação nas bolsas internacionais, analistas alertam que o mercado permanece sensível ao ritmo da safra brasileira, que é a principal referência global para a formação de preços.
No mercado físico brasileiro, a situação é diferente. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou uma nova queda, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 93,96, uma retração de 0,78%. Com isso, as perdas acumuladas em maio já chegam a 4,03%, refletindo o avanço da moagem no Centro-Sul e a lentidão nas negociações.
O mercado de etanol hidratado também não escapou da pressão. Em São Paulo, o biocombustível foi negociado a R$ 2.346,50 por metro cúbico, com uma queda de 0,23% no dia. Essa retração é atribuída ao aumento da disponibilidade do produto e à cautela dos compradores, que estão mais hesitantes em fechar novos contratos.
Os produtores e consumidores devem ficar atentos às previsões climáticas, que indicam chuvas nas regiões produtoras do Centro-Sul. Se as precipitações se confirmarem, pode haver interrupções temporárias na moagem da cana-de-açúcar, o que poderia aliviar a pressão de oferta no curto prazo. Além disso, possíveis reajustes nos preços da gasolina pela Petrobras também podem impactar a competitividade do etanol.
Especialistas acreditam que uma recuperação mais consistente dos preços internos do açúcar dependerá de uma maior sustentação nas bolsas internacionais e de ajustes na dinâmica de oferta da safra brasileira nas próximas semanas. O cenário atual exige atenção dos produtores, que precisam se adaptar rapidamente às mudanças do mercado para garantir a rentabilidade de suas atividades.











