A alta do diesel tem pressionado a logística no Brasil, impactando diretamente a cadeia de importações e os custos de transporte. Com o recente reajuste de 6,3% anunciado pela Petrobras, empresas que dependem do transporte rodoviário enfrentam um aumento significativo nas despesas, afetando a previsibilidade financeira e as margens de lucro.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revelam que cerca de 65% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias. Isso significa que qualquer variação no preço do diesel tem um efeito imediato e abrangente sobre o setor, impactando desde o frete até a armazenagem e distribuição.
Impacto da alta do diesel na cadeia de importação
Para as empresas importadoras, a situação é ainda mais delicada. Após a chegada das mercadorias aos portos, o transporte rodoviário até os centros de distribuição pode elevar consideravelmente o custo final. Especialistas alertam que muitas empresas ainda não consideram a logística interna como um fator crucial na formação de preços, focando apenas em câmbio e impostos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o grupo Transportes é um dos principais vetores de inflação no país, evidenciando a importância do setor na economia. Diante desse cenário, as empresas precisam revisar suas estratégias logísticas e financeiras para se adaptarem às novas condições de mercado.
Estratégias para proteger margens
Murillo Oliveira, especialista em investimentos, sugere cinco medidas que podem ajudar as empresas a mitigar os impactos da alta dos combustíveis. A primeira é a revisão de contratos logísticos, que devem ser renegociados para refletir as novas realidades de custo.
Outra estratégia é o redesenho de rotas e centros de distribuição, que pode otimizar trajetos e reduzir o consumo de diesel. Além disso, a integração entre compras e tesouraria é fundamental para evitar decisões isoladas que aumentem os custos operacionais.
A antecipação de repasses de preços e o uso de inteligência de dados na logística também são essenciais. Monitorar continuamente fretes e prazos permite ajustes rápidos e maior controle sobre a rentabilidade das operações.
Em um cenário de alta de custos, a eficiência operacional se torna um diferencial competitivo. Empresas que investem em gestão de dados e planejamento integrado têm mais chances de se adaptar rapidamente às mudanças e ampliar sua participação no mercado.











