A América Latina e o Caribe alcançaram um superávit de US$ 21 bilhões no comércio de produtos aquícolas em 2024, consolidando a região como um dos principais exportadores globais do setor. Os dados, divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), foram apresentados durante a Conferência Our Ocean, realizada em Mombaça, no Quênia.
Com uma produção mundial de animais aquáticos atingindo 195 milhões de toneladas, a expansão da aquicultura tem sido um fator crucial para esse crescimento. O comércio internacional de produtos aquáticos, que inclui pescados e algas, movimentou US$ 186 bilhões, envolvendo 230 países e territórios.
América Latina se destaca no mercado de pescado
O superávit comercial da região é resultado de exportações que somaram US$ 27 bilhões, enquanto as importações foram de apenas US$ 6 bilhões. Com 6,4 milhões de toneladas exportadas, a América Latina representa 15% das exportações globais de produtos aquícolas, reforçando seu papel estratégico no abastecimento mundial.
As principais cadeias produtivas que impulsionam as exportações incluem a anchoveta, o camarão cultivado e o salmão, com destaque para o Peru e o Chile. Esses países têm um papel central na oferta de insumos para a indústria de rações e alimentos, o que impacta diretamente a economia local e a segurança alimentar.
Desempenho da pesca e aquicultura na região
Em 2024, a pesca de captura ainda dominou a produção regional, representando 75% do total, com 13 milhões de toneladas. O Sistema da Corrente de Humboldt, na costa oeste da América do Sul, continua sendo um dos principais fatores que garantem a alta produtividade pesqueira na região.
O Peru se destacou como o maior produtor de pesca de captura, com 5,7 milhões de toneladas, seguido pelo Chile. Após um período de declínio devido ao fenômeno El Niño, a anchoveta teve uma recuperação significativa, aumentando suas capturas em quase 65% em relação ao ano anterior.
A aquicultura, embora ainda represente apenas 25% da produção regional, está crescendo a um ritmo acelerado, com um aumento médio de 7,2% ao ano desde 2000. O Chile, Equador e Brasil são os principais responsáveis por essa produção, respondendo juntos por 79% da aquicultura na América Latina.
O setor aquícola e pesqueiro é vital para a economia da região, empregando mais de 3 milhões de pessoas e contribuindo para a segurança alimentar. No entanto, a disponibilidade de pescado ainda é inferior à média global, com o consumo per capita na América Latina em 10,1 kg, comparado a 21,1 kg globalmente.
As perspectivas para o setor são otimistas, com a FAO prevendo um crescimento de 8% na produção de animais aquáticos até 2034. A aquicultura deve ser a principal responsável por esse aumento, destacando a importância da “Transformação Azul” para a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico das comunidades costeiras.











